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Vaticano critica tentativas agressivas de envolver papa em escândalo

O Vaticano afirmou que tem ocorrido tentativas agressivas de envolver o papa Bento 16 em um escândalo de pedofilia na Alemanha. Alguns vêm tentando com certa agressividade persistente, em Ragensburgo e Munique, procurar elementos para envolver pessoalmente o Santo Padre com os casos de abusos, disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, à rádio da instituição neste sábado.

BBC Brasil |

"Está claro que estas tentativas falharam", completou, afirmando ainda que as alegações seriam "difamatórias".

A arquidiocese de Munique (sul do país) disse que o papa, então Joseph Ratzinger, envolveu-se em 1980 na decisão de enviar um padre da região, suspeito de pedofilia, para sessões de terapia, depois que outra diocese, a de Essen (no oeste alemão), requisitou sua transferência devido ao surgimento das alegações.

De acordo com o comunicado da arquidiocese de Munique, outro padre, Gerhard Gruber, que ocupava um lugar menor na hierarquia, assumiu responsabilidade por permitir que o padre voltasse a exercer trabalho pastoral imediatamente.

A Igreja afirma que em 1986 o padre envolvido no escândalo recebeu uma sentença de prisão a ser cumprida em liberdade por abuso infantil. Desde então ele ainda realiza trabalho pastoral no Estado da Baviera (sul do país), embora não tenha sido mais permitido seu contato com crianças e jovens.

"Falsas e caluniosas"
O responsável do Vaticano para lidar com casos de padres acusados de crimes sexuais, Charles Scicluna, afirmou à imprensa italiana que as acusações de que o papa estaria tentando abafar os casos de abusos seriam "falsas e caluniosas".

Ele afirmou que Ratzinger mostrou firmeza e sabedoria ao lidar com o tema por quatro anos antes de tornar-se papa.

Scicluna disse que, desde 2001, o Vaticano recebeu cerca de 3 mil acusações de abusos de menores, que teriam ocorrido nos últimos 50 anos.

"Podemos dizer que cerca de 60% destes casos envolveram atração sexual por adolescentes do mesmo sexo, outros 30%, relações heterossexuais", disse ele.

"Os 10% restantes seriam casos de pedofilia propriamente ditos, envolvendo atração sexual por crianças pré-puberdade."
Ele disse que 60% dos casos não foram julgados, em sua maioria por causa da idade avançada do acusado, mas foram adotadas outras medidas disciplinares, como a imposição de o padre viver recluso ou proibido de celebrar missas.

Perdão
Na sexta-feira, o presidente da Conferência Episcopal alemã, monsenhor Robert Zollitsch, pediu perdão em nome de todos os bispos da Alemanha pelos abusos contra menores ocorridos em escolas católicas.

"(Os bispos) estão arrasados pelo que houve, pelos atos de violência contra menores, e pedem perdão às vitimas de crimes de pedofilia", disse o clérigo, falando aos jornalistas logo depois de um encontro de 45 minutos com o papa Bento 16 no Vaticano nesta sexta-feira.

Segundo o monsenhor Zollitsch, na reunião com o papa o assunto principal foram as medidas que a Conferência Episcopal alemã está tomando para enfrentar o problema dos abusos contra menores.

Cerca de 200 casos de abusos sexuais e violência envolvendo institutos católicos, em quase todas as dioceses da Alemanha, foram denunciados nos últimos meses.

O presidente da Conferência Episcopal alemã, que também teve um encontro com o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, William Levada, disse que a Igreja Católica está revendo as próprias normas a respeito de casos de pedofilia.

"A congregação para a doutrina da fé está recolhendo as experiências nos vários países para fazer uma avaliação e eventualmente atualizar as próprias normas, especialmente no que se refere à denuncia à magistratura civil", informou o prelado.

Monsenhor Zollitsch garantiu toda a colaboração do episcopado alemão com a Justiça, para esclarecer toda a verdade sobre o escândalo dos abusos sexuais.

"O papa confirmou explicitamente este ponto", disse.

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