Vaticano condena alegação de que papa não agiu em caso de pedofilia

O Vaticano condenou alegações de que o papa Bento 16 não agiu contra um padre nos Estados Unidos que supostamente molestou até 200 garotos ao longo de 24 anos em uma escola para surdos no Estado de Winsconsin. Um editorial publicado no jornal do Vaticano afirma que as alegações, divulgadas em um jornal americano, eram um ataque ao papa e que não tinha havido acobertamento do caso.

BBC Brasil |

Em uma reportagem publicada na quinta-feira, o jornal The New York Times afirma que o Vaticano tinha conhecimento, mas não tomou nenhuma providência sobre o caso do reverendo Lawrence Murphy.

O diário afirma ter tido acesso aos documentos do processo que vítimas apresentaram na Justiça. Entre eles estão correspondências entre os bispos do Estado e altas autoridades do Vaticano, inclusive algumas endereçadas ao cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16, na época em que era chefe da Congregação para Doutrina da Fé, responsável por tratar questões disciplinares na Igreja.

Os abusos teriam ocorrido entre 1950 e 1974, mas o caso só começou a ser investigado em 1993, quando denúncias contra o Murphy começaram a chegar ao arcebispo de Milwaukee à época, Rembert Weakland.

"O arcebispo Weakland contratou um assistente social especializado no tratamento de crimes sexuais para avaliar (o padre Murphy). Após quatro dias de entrevistas, o assistente social afirmou que o padre admitiu seus atos, havia molestado provavelmente cerca de 200 garotos e que não tinha remorsos", relata o New York Times.

Segundo o jornal, o arcebispo Weakland escreveu cartas ao cardeal Ratzinger pedindo a suspensão do padre Murphy em 1996, com o objetivo de "neutralizar a indignação entre a comunidade surda e restaurar a confiança na Igreja."
O New York Times diz que Ratzinger nunca respondeu a nenhuma das duas cartas que recebeu do arcebispo americano.

Em resposta às acusações colocadas pelo jornal, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reconheceu que o padre havia violado a lei e crianças "particularmente vulneráveis", e que o caso é "trágico".

Entretanto, ele disse que o Vaticano só tomou conhecimento do caso em 1996 e que, àquela altura, a saúde frágil e a ausência de casos recentes envolvendo o padre pesaram na decisão de suspender o julgamento contra ele.

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