União Européia discute fundo de estabilização em meio à crise grega

Ministros das Finanças da União Européia estão reunidos em Bruxelas neste domingo para discutir a criação de um novo "mecanismo de estabilização" para prevenir que a crise financeira que atinge a Grécia se alastre para outros países do bloco. Eles irão debater a possibilidade de estender o financiamento de emergência que hoje só está disponível para países que não fazem parte da zona do euro.

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Os ministros também estariam discutindo um sistema de garantias para empréstimos que pode valer bilhões de euros. Os detalhes sobre o que está sendo debatido ainda não são conhecidos. Falando antes do encontro, o ministro das Finanças britânico, Alistair Darlin, disse que é importante fazer "o que for necessário" para garantir a estabilidade, mas que a Grã-Bretanha não dará apoio ao euro. "No que diz respeito à Europa, há uma proposta separada para disponibilizar ajuda para os membros do grupo do euro como existe para países de fora da zona, como a Hungria e a Romênia", disse. "Mas o que não faremos é dar apoio ao euro, isso tem que partir dos países que usam a moeda." Estabilização A Comissão está buscando apoio a um ambicioso mecanismo que poderia ser usado para financiar bilhões de dólares em dívidas. O correspondente da BBC em Bruxelas, Jonny Dymond, disse que autoridades da organização trabalharam durante todo o final de semana para desenhar o plano. Sob as propostas, a Comissão Européia pegaria dinheiro emprestado para a estabilização de economias em apuros diretamente dos mercados. Autoridades esperam que as garantias de pagamento de empréstimos possam prevenir que a crise na Grécia se alastre para outros países com alto déficit ou dívidas, como Portugal e Espanha. Na sexta-feira, chefes de governo dos 16 países que compõem a zona do euro aprovaram, em um encontro em Bruxelas, o pacote de 110 bilhões de euros, em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de ajuda à Grécia. O pacote, que deve ser entregue ao país ao longo de três anos, já havia sido prometido ao governo grego e foi oficialmente aprovado durante a reunião de emergência em Bruxelas. Em troca, o governo da Grécia deve cortar os gastos públicos e aumentar os impostos para reduzir o déficit orçamentário do país, que chegou a de 12,7% do PIB e está quatro vezes acima do previsto pelas regras da zona do euro. Pacote de austeridade Na quinta-feira, a o governo da Grécia aprovou um pacote de austeridade com algumas medidas, altamente impopulares, que visam cumprir com esses objetivos. A aprovação do pacote pelo Parlamento grego impulsionou, nesta sexta-feira, a aprovação oficial do pacote de ajuda. No Brasil, o governo anunciou que deve fazer um aporte de US$ 286 milhões no FMI (Fundo Monetário Internacional), vindo das reservas internacionais do país, para ajudar a combater a crise grega. O FMI deve entrar com cerca de 30 bilhões de euros do total de 110 bilhões de euros (equivalentes a cerca de US$ 140 bilhões) do pacote de ajuda à Grécia. O pacote de socorro é visto como uma "parede de contenção" do bloco para garantir os pagamentos dos empréstimos gregos e acalmar os mercados, evitando que a crise se espalhe ainda mais para outros países. Portugal e Espanha também enfrentam grandes déficits. A possibilidade de a Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pela moeda única europeia. Violentos protestos contra essas medidas deixaram pelo menos três mortos na capital grega, Atenas, na quarta-feira.

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