União Europeia aprova medidas para evitar caos aéreo

Entre as normas aprovadas está a aceleração dos planos para integração do espaço aéreo da Europa

BBC Brasil |

Ministros dos Transportes de países da União Europeia (UE) aprovaram nesta terça-feira a aplicação de medidas para evitar mais casos de interrupção e cancelamentos de voos no caso de nuvens de cinzas vulcânicas.

Entre as medidas aprovadas em uma reunião em Bruxelas está a aceleração dos planos para integração do espaço aéreo da Europa, criando um "regulador europeu único para um único céu europeu". A previsão inicial era de que este plano fosse aplicado somente em 2012, mas agora os ministros querem a aplicação dele ainda em 2010.

Os ministros esperam que um único órgão regulador responsável por todo o espaço aéreo da Europa seja o responsável por respostas mais rápidas e coerentes a situações parecidas com a enfrentada no mês passado.

© AP
Homem descansa enquanto espera voo no aeroporto de Belfast, na Irlanda do Norte

O encontro dos ministros do bloco acontece em meio a novas restrições em voos provocadas pela nuvem de cinzas vulcânicas vinda da Islândia. Nesta terça-feira, as medidas afetaram voos na República da Irlanda, Irlanda do Norte e partes da Escócia durante seis horas.

As restrições devem continuar nesta quarta-feira na Escócia e na Irlanda do Norte. A agência de aviação civil britânica (CAA, na sigla em inglês), anunciou o fechamento do espaço aéreo e dos aeroportos dos dois países a partir das 7h (4h em Brasília).

Prejuízo

Falando logo após a reunião, o comissário europeu de Transportes, Siim Kallas, afirmou que é importante garantir que "milhões de pessoas e empresas nunca tenham que passar novamente pela crise das últimas semanas".

"Isto vai continuar acontecendo. Pode ser na próxima semana. Pode ser dentro de 20 anos. Mas vai acontecer de novo: e vulcões não obedecem regras", disse Kallas a respeito da possibilidade de uma nova nuvem de cinzas no céu da Europa.

A reunião extraordinária dos ministros dos Transportes europeus ocorreu depois de muitas críticas das empresas aéreas, que afirmaram que os governos adotaram uma postura excessivamente cautelosa à crise, interrompendo voos de forma desnecessária.

O cancelamento de centenas de voos causou um prejuízo entre 1,5 bilhão e 2,5 bilhões de euros (aproximadamente entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5,8 bilhões) às companhias aéreas e às agências de turismo, segundo cálculos preliminares divulgados pela Comissão Europeia (CE), o órgão Executivo do bloco.

O incidente causado pelas cinzas do vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull fez com os voos fossem cancelados em toda a Europa e durou seis dias, deixando milhões de passageiros sem ter como viajar.

Vinte anos

De acordo com o correspondente da BBC em Bruxelas Dominic Hugues, há 20 anos as companhias aéreas pedem a criação de um espaço aéreo europeu unificado e reclamam que o sistema atual é muito complexo.

Atualmente cada um dos 27 países membros da União Europeia controla seu próprio espaço aéreo, que corresponde às suas fronteiras nacionais no solo e as empresas precisam negociar com cada uma das autoridades de aviação de cada país.

Siim Kallas também afirmou que a Comissão Europeia ficará "pronta" para estabelecer diretrizes para permitir que os governos do bloco paguem indenizações às companhias aéreas por perdas resultantes de fechamentos no espaço aéreo.

Nenhuma parcela será dada pela União Europeia, mas, em comentários anteriores, Kallas afirmou que está aberto à ideia de indenização apesar das leis restritas do bloco em relação à ajuda do Estado.

Kallas também indicou que existe o plano de construir redes de transporte pan-europeias, que poderão assumir o transporte de passageiros caso as companhias aéreas não possam voar novamente. Mas, Kallas acrescentou que a comissão "nunca comprometeria a segurança".

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