TV do Irã exibe suposta declaração de Sakineh admitindo ter 'pecado'

TV iraniana acusa ativista de tentar tirar benefício próprio do caso Sakineh

BBC Brasil |

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A TV estatal iraniana exibiu nesta segunda-feira uma reportagem com uma mulher identificada como Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por adultério e homicídio, em que ela diz ter "pecado" e ter sido enganada por advogados. No vídeo, a suposta Sakineh diz que o primo do marido a convenceu a matar o cônjuge com a promessa de que ela teria uma "vida livre".

A reportagem também acusa a ativista Mina Ahadi, principal integrante do Comitê Internacional contra Apedrejamento (órgão que luta pela libertação de Sakineh), de tentar obter vantagens pessoais com o caso - Ahadi é militante de um grupo comunista opositor ao governo iraniano. Após exibir imagens de Ahadi, a suposta Sakineh reaparece no vídeo e diz: "Senhora Mina Ahadi, isto não é da sua conta. Eu cometi um pecado."

Sakineh, que tem 43 anos e é mãe de dois filhos, foi condenada à morte em 2006 por apedrejamento. Mas, no fim de setembro deste ano, o procurador-geral do país, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, disse que ela poderia ser enforcada.

O caso de Sakineh ganhou repercussão internacional em julho e rendeu críticas severas ao governo de Mahmoud Ahmadinejad por violação dos direitos humanos. A Suprema Corte do Irã está analisando o caso.

"Guerra de propaganda"

Em agosto, a TV estatal iraniana já exibira o que dizia ser uma confissão de Sakineh. Durante a transmissão, a mulher identificada como a iraniana dizia ter conspirado para matar o marido e acusava o advogado Mohammed Mostafai, que fugiu do país, de interferir indevidamente em seu caso. A mais recente reportagem atribui a repercussão internacional do caso Sakineh à "guerra de propaganda contra o Irã".

O vídeo mostra uma imagem borrada da suposta Sakineh falando em azeri (principal língua na região da iraniana), com legendas em farsi. Imagens distorcidas que seriam de Sajjad Qaderzadeh, um dos filhos de Sakineh, também são mostradas. Nelas, ele diz que Ahadi o apresentou a Mohamad Mostafai, o primeiro advogado de Sakineh. "Mostafai não teve um papel positivo. (...) Primeiro, ele tornou a questão internacional e deixou todos a par dela. Nossos parentes não sabiam do caso e agora sabem. Na minha opinião, perdemos o respeito por causa de Mostafai. Ele fugiu e buscou asilo político", diz.

O rapaz identificado como o filho de Sakineh diz ter sido ludibirado também por Huatan Kian, o segundo advogado da mãe. "Ele (Kian) nos pediu que disséssemos que ela havia sido torturada e que não estava autorizada a receber visitas. (...) Tudo o que eu disse à imprensa estrangeira era mentira", afirma. A suposta Sakineh então diz: "Não consegui nada de Hutan Kian. (...) Ele mentiu para mim. Ele costumava dizer 'vocês viram Asthiani na TV? É por minha causa'".

Alemães

A reportagem menciona dois cidadãos alemães presos no Irã acusados de tentar entrevistar o filho de Sakineh. Um dos alemães diz, com dublagem em farsi, que processará Ahadi quando regressar à Alemanha. "Eu não sabia nada desse caso. Mas Ahadi sabia e, já que poderia se beneficiar da propaganda da minha prisão, me enviou ao Irã." O outro alemão afirma: "Eu concordo que cometi um erro porque não estava ciente e fui enganado por Ahadi".

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