Tribunal tailandês paralisa extradição de suposto traficante de armas para os EUA

Destino de Viktor Bout, acusado de ser um dos maiores traficantes de armas do mundo, é disputado por EUA e Rússia

BBC Brasil |

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A Justiça tailandesa rejeitou um pedido para retirar acusações de lavagem de dinheiro e fraude contra um cidadão russo tido como um dos maiores traficantes de armas do mundo, adiando a sua aguardada extradição para os Estados Unidos.

As novas acusações contra o empresário russo Viktor Bout acabaram criando novos empecilhos legais para a extradição, adiada por tempo indefinido. Bout deveria ser extraditado até novembro, onde seria julgado por conspirar para vender armas ao grupo rebelde colombiano Farc (Forças Armas Revolucionárias da Colômbia).

O seu destino vinha sendo disputado pelos Estados Unidos e a Rússia, que nega que Bout estivesse envolvido em negócios ilegais. O empresário russo foi preso em Bangcoc, capital da Tailândia, em 2008, em uma operação conjunta entre os Estados Unidos e a Tailândia. Se julgado e condenado nos Estados Unidos, Bout corre o risco de ser condenado à prisão perpétua.

Ex-agente

Bout foi apelidado no ocidente de "mercador da morte". O filme "Senhor da Guerra", estrelado por Nicolas Cage em 2005, foi parcialmente inspirado na trajetória do empresário russo.

Reuters
Viktor Bout deixa tribunal em Bangcoc, na Tailândia

Supostamente atuando há mais de 15 anos como vendedor de armamento pesado, Bout teria envolvimento em alguns dos piores conflitos da história mundial recente. Ele é suspeito de ter fornecido armas para líderes polêmicos como Charles Taylor, ex-presidente da Libéria, e Muamar Khadafi, da Líbia, além de ter abastecido diversos grupos guerrilheiros na América Latina e no sul do continente africano.

Acredita-se que Bout teria sido agente da inteligência russa no passado e que poderia comprometer os interesses de Moscou caso venha a fechar algum acordo de delação premiada com a Justiça americana. Especula-se que, nesse caso, Bout poderia expor a participação de setores dentro do Exército russo no comércio internacional ilegal de armas.

Captura

Na captura de Bout, em março de 2008, agentes americanos se fizeram passar por militantes da guerrilha colombiana FARC interessados em comprar armamentos para atacar americanos. Os agentes disfarçados se encontraram com Bout em um hotel de luxo de Bancoc e gravaram o russo negociando a venda.

Moscou apoia Bout e nega que ele seja um traficante de armas. Segundo o Kremlin, o russo é um negociante honesto, que teria feito fortuna com uma companhia de transporte de cargas. A esposa de Bout afirma que ele estava em Bancoc em 2008 para participar de um curso de culinária tailandesa.

Durante anos Bout conseguiu frustrar os esforços dos Estados Unidos e das Nações Unidas em empregar sanções aos negócios dele, driblando inúmeras vezes restrições a viagens e o congelamento de seus bens. Ao entrar na corte nesta segunda-feira Bout estava vestindo um colete à prova de balas e disse à imprensa internacional que não credita que o julgamento será justo.

Extradição

Apesar de aprovada em 20 de agosto, a extradição de Bout poderá não ser cumprida dentro do prazo de três meses, por impedimentos jurídicos. A ordem de extradição aos Estados Unidos foi aprovada em última instância para a acusação de conspiração para a venda de armas a grupos terroristas.

As acusações de lavagem de dinheiro e fraude, no entanto, foram feitas depois que o processo já estava em andamento e a inclusão delas no caso pode atrasar a execução da extradição, pois seria necessário um novo julgamento.

A audiência desta segunda-feira teve por objetivo cancelar essas duas acusações, para permitir que o envio de Bout fosse cumprido ainda dentro do prazo, que expira por volta de 20 de novembro. O problema técnico, porém, é que na Justiça tailandesa o acusado precisa concordar com a retirada da acusação, coisa que os advogados de Bout já avisaram que ele não irá fazer, uma estratégia para ganhar tempo.

A extradição de Bout é uma prioridade na agenda dos Estados Unidos com a Tailândia e a imprensa local deu ampla cobertura às conversas que a Secretaria de Estado americana Hillary Clinton manteve com o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva durante a Assembleia anual da ONU em Nova York, há poucas semanas.

Segundo os jornais Bangkok Post e The Nation, Abhisit teria assegurado Clinton de que a Justiça tailandesa colaboraria para a extradição de Bout.

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