Trabalhistas apelam por 'voto tático' em eleições

Partido do governo segue na lanterna e pede voto em Liberais Democratas para garantir coalizão

BBC Brasil |

A dois dias das eleições gerais e com o partido do governo na lanterna das pesquisas de opinião, ministros do gabinete britânico defenderam nesta terça-feira o "voto tático" como estratégia para manter a oposição fora do poder.

A defesa foi feita por dois ministros do Partido Trabalhista, que sugeriram que, para conter o avanço do seu arquirrival, o Partido Conservador, os eleitores em algumas partes do país deveriam votar nos candidatos do Partido Liberal Democrata, de centro.

As últimas duas pesquisas, divulgadas na segunda-feira, dão ao Partido Conservador entre 33-34% das intenções de voto, com os dois outros partidos obtendo pouco abaixo de 30% das intenções, cada um.

Como o sistema é parlamentarista e distrital, os eleitores não votam diretamente no candidato a primeiro-ministro , mas sim no parlamentar que vai representar o seu distrito no Legislativo. Os 650 representantes é que elegem o chefe do governo. Assim, o importante não é a soma dos votos totais do partido, mas sim a vitória dos candidatos do partido nos diferentes distritos eleitorais.

"Em sempre quero que o candidato do Partido Trabalhista vença, mas admito que há problemas em locais como North Norfolk, onde minha família vive, onde Norman Lamb (o candidato liberal democrata) está disputando com os conservadores. E eu prefiro que os conservadores fiquem fora do poder", disse à revista "New Statesman" o ministro da Educação, Ed Balls.

Já o ministro para o País de Gales, Peter Hain, disse à BBC que os eleitores devem "votar com a cabeça, não com o coração". "Quero que os candidatos do Partido Trabalhista vençam, mas muitos não estão nessa posição. Creio que é importante que as pessoas ajam de forma inteligente nessas eleições", afirmou.

Incerteza

Nesta terça-feira, o jornal "Daily Mirror", que apoia os trabalhistas, dedicou sua página inicial a uma espécie de "guia do voto tático" para evitar a vitória dos conservadores.

Mas o apoio da imprensa aos conservadores foi engrossado pelo jornal financeiro "Financial Times", em linha com o diário" Times" e a revista "The Economist". Já o "Guardian" havia declarado sua preferência pelos liberais-democratas.

Se o resultado das urnas confirmar as pesquisas, será a primeira vez desde 1974 que nenhum partido vencerá com maioria absoluta as eleições britânicas.

Reuters
Partido do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pode perder espaço nas eleições desta semana
A esperança do Partido Trabalhista, que governa o país desde 1997, seria se manter no poder através de uma possível coalizão com os liberal-democratas.

Entretanto, as regras para reger esse tipo de situação preveem uma série de opções, inclusive a formação do que poderia ser um governo conservador de minoria.

No passado, a instabilidade política criada após uma eleição sem vitória clara de um ou outro partido acabou levando à dissolução do governo e à convocação de novas eleições.

Em uma entrevista na TV nesta terça-feira, o primeiro-ministro, Gordon Brown, procurou se afastar das sugestões de voto tático.

"Queremos que os eleitores votem no Partido Trabalhista e queremos um governo de maioria do Partido Trabalhista". O líder do Partido Conservador, David Cameron, atacou a estratégia do voto tático. "Políticos trabalhistas de primeiro escalão estão dizendo que, se quiser manter Gordon Brown no poder, vote nos liberal-democratas", disse.

"Isso reforça o que já dissemos: se você quiser um novo governo que arregace as mangas e comece a limpar a casa a partir de sexta-feira vote nos conservadores na quinta", disse.

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