Taxa de desemprego aumentou para 9,9% nos EUA em abril

O mercado de trabalho americano gerou 290 mil novas vagas em abril - número superior ao previsto, mas insuficiente para impedir o aumento da taxa de desemprego, que passou de 9,7% para 9,9%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira. A geração de empregos surpreendeu analistas, que esperavam a criação de cerca de 185 mil postos de trabalho em abril, e é considerada um sinal da recuperação contínua - ainda que lenta - da economia americana.

BBC Brasil |

selo

Ainda de acordo com analistas, o aumento da taxa de desemprego em abril não é necessariamente negativo, pois indica o reingresso no mercado de trabalho de pessoas que antes haviam desistido de procurar por vagas. O cálculo da taxa de desemprego, feito pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, leva em conta apenas as pessoas que estão sem emprego, mas seguem procurando por uma colocação, e não aqueles que desistiram de encontrar uma vaga. "À medida que trabalhadores em potencial veem vagas sendo criadas, alguns dos que haviam desistido vão voltar à força de trabalho, desacelerando a queda da taxa de desemprego", diz o analista Nigel Gault, economista-chefe da consultoria IHS Global Insight. Segundo Gault, os dados desta sexta-feira são "uma boa notícia", especialmente depois da forte queda verificada nas bolsas americanas na quinta-feira, em decorrência dos efeitos da crise na Grécia. "Os dados mostram que a economia (americana) está ganhando força e, assim, mais preparada para resistir às ondas de choque da crise de débito soberano da Europa", afirma o economista. Vagas Números revisados pelo Departamento de Trabalho revelam ainda que abril foi o quarto mês consecutivo em que houve criação de empregos. O governo revisou para cima a criação de vagas em março, das 162 mil inicialmente estimadas para 230 mil. Os dados de fevereiro também foram revisados, passando de perda de 14 mil vagas para a criação de 39 mil postos de trabalho. Em janeiro, foram criados outros 14 mil empregos. Muitas das vagas criadas recentemente são temporárias, ocupadas por trabalhadores contratados para realizar o Censo nos Estados Unidos. Ainda assim, excluindo-se os 66 mil trabalhadores temporários contratados para o Censo, o número de empregos criados em abril foi de 224 mil. Desafio Os dados sobre a criação de empregos são divulgados uma semana após o anúncio de que a economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 3,2% no primeiro trimestre de 2010, resultado considerado por Obama como "um passo importante rumo à recuperação". No entanto, apesar dos números considerados positivos, 15,3 milhões de americanos continuam desempregados, e o problema é um dos principais desafios do governo do presidente Barack Obama. Desde dezembro de 2007, quando os Estados Unidos entraram em recessão, foram perdidos mais de 8 milhões de empregos, e analistas e o próprio governo afirmam que a taxa de desemprego deverá permanecer ao redor de 10% por um longo período. Em seu relatório World Economic Outlook, divulgado no mês passado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) também alertou que a taxa média de desemprego deverá permanecer alta nas economias avançadas, com taxas em torno de 9% pelo menos até o final de 2011.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG