Tabloide britânico é acusado de invadir celular de menina desaparecida

Jornal "News of the World" é acusado de interceptar telefone de garota de 13 anos enquanto polícia tentava achá-la

BBC Brasil |

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A polícia britânica está investigando alegações de que um conhecido tabloide local invadiu o telefone celular de uma menina de 13 anos que estava desaparecida, enquanto a polícia tentava encontrá-la.

Milly Dowler desapareceu em março de 2002 perto de sua casa, em Walton-on-Thames, no condado de Surrey (sudeste da Inglaterra). Os restos mortais foram encontrados seis meses depois, em um bosque afastado na região de Yateley, no condado de Hampshire.

Segundo o jornal "The Guardian", um detetive contratado pelo tabloide "News of the World" interceptou ilegalmente o celular da menina desaparecida e até apagou mensagens enviadas a ela por seus familiares.

Essa é a mais recente de uma série de acusações de grampos ilegais encomendados por funcionários do jornal dominical "News of the World". As alegações sobre a interceptação do telefone de Milly Dowler estão tendo grande repercussão no país.

O primeiro-ministro, David Cameron, em visita ao Afeganistão, disse que elas eram "bastante chocantes", considerando que alguém pudesse acessar as mensagens do celular enquanto a polícia estava tentando encontrar a menina.

"Se elas (as alegações) forem verdadeiras, isto será um ato verdadeiramente terrível e uma situação verdadeiramente terrível", disse o primeiro-ministro britânico. "A polícia do nosso país é bastante independente, e ela deve sentir que precisa investigar isto sem qualquer medo, sem favorecimentos, sem qualquer preocupação sobre onde as evidências vão levar", afirmou Cameron.

O caso de Milly Dowler só foi concluído no dia 23 de julho do ano passado, com a condenação de um ex-segurança de uma casa noturna, Levi Bellfield, pelo seu assassinato.

'Angústia e tragédia'

A polícia deverá se reunir com executivos do jornal para tratar das alegações contra o investigador Glenn Mulcaire, que teria realizado a invasão do telefone de Milly. O advogado Mark Lewis, que trabalha para a família da menina, disse que a suposta ação do detetive ocorreu no período em que o "News of the World" estava a cargo da editora Rebekah Brooks - hoje executiva-chefe da corporação News International, da qual o jornal faz parte.

"(Traz um sentimento de) angústia montada sobre tragédia saber que o News of the World não tinha senso de humanidade naquele momento terrível", disse o advogado, por meio de comunicado. "O fato de que eles estavam preparados para agir de forma tão abominável a ponto de poder colocar em perigo a investigação policial e dar (a Sally e Bob Dowler, os pais de Milly) falsas esperanças é deplorável."

O "Guardian" afirma que, segundo uma fonte ligada ao caso, o fato de que algumas mensagens enviadas ao celular de Milly foram apagadas deu à família da jovem a esperança de que ela ainda estivesse viva e "limpando" o seu serviço de voz.

Lewis disse ainda que os pais da menina assassinada foram avisados que seus próprios telefones foram alvo de interceptação ilegal. Segundo o advogado, Sally e Bob Dowler cogitam processar o News of the World pelo caso.

Segundo o "Guardian", o tabloide contratou outro detetive, Steve Whittamore, para obter ilegalmente números de telefone de pessoas com o sobrenome Dowler que não constassem da lista telefônica na região de Walton-on-Thames.

Um porta-voz da News International afirma que a empresa está cooperando totalmente com a polícia desde que uma "revelação voluntária feita em janeiro (pela News International) reiniciou a investigação sobre interceptação ilegal de correio de voz" no Reino Unido.

O representante da corporação afirma que o caso de Milly Dowler traz "grande preocupação" e que a empresa irá realizar sua própria investigação a respeito. "Nós obviamente vamos cooperar totalmente com qualquer pedido da polícia que nos for feito", disse o porta-voz.

Polêmica no Reino Unido

As alegações de que funcionários do "News of the World" estariam envolvidos em interceptação ilegal de telefones começaram a pipocar em 2006. Em 2007, a Justiça condenou à prisão o correspondente do jornal para assuntos da Realeza Clive Goodman e o próprio investigador Glenn Mulcaire por causa do grampo ilegal de telefones de mebros família real.

A Polícia Metropolitana de Londres iniciou uma nova investigação em fevereiro de 2011, após alegações de que mais de 7 mil pessoas, entre elas atores, políticos, jogadores de futebol, apresentadores de TV e outras celebridades, tiveram seus telefones hackeados.

Sobre o episódio de Milly Dowler, a polícia deverá investigar até onde vai o envolvimento de Rebekah Brooks, que agora ocupa um dos cargos mais altos da News International, do magnata australiano Rupert Murdoch.

"Este é um dos poucos episódios que ocorreram quando ela (Rebekah Brooks) estava editando o jornal, e ela claramente terá de responder algumas questões sobre o quanto ela sabia do que estava ocorrendo", disse à BBC o correspondente especial do Guardian Nick Davies, que escreveu a reportagem sobre o caso.

O editor de negócios da BBC Robert Peston afirma que Brooks deverá dizer à sua equipe que está "profundamente chocada" sobre as últimas alegações, insistindo que ela não sabia nada sobre interceptação ilegal de telefones envolvendo o "News of the World".

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