Suu Kyi diz querer liderar 'revolução pacífica' em Mianmar

Nobel da Paz diz que vai aproveitar liberdade para falar com integrantes da Junta Militar que governa o país

BBC Brasil |

selo

A ativista política e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi disse à BBC, dois dias depois de ser libertada, que quer liderar uma "revolução pacífica" em Mianmar. Suu Kyi, que foi solta no sábado depois de passar sete anos sob prisão domicilar, disse ter certeza de que a democracia chegará ao país, mas admitiu não saber quando.

Falando com a BBC na sede de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (NLD, na sigla em inglês), em Yangun, ela disse que aproveitará toda oportunidade que aparecer para falar com integrantes da Junta Militar que governa o país. Sua libertação veio seis dias depois da primeira eleição realizada no país em 20 anos.

AP
Nobel da Paz e ativista política Suu Kyi é acompanhada por multidão no trajeto até a sede de seu partido em Mianmar

O NDL, que ganhou a eleição anterior mas foi impedido, pela Junta Militar, de assumir o governo, boicotou a nova votação, um processo amplamente acusado por governos ocidentais de ter sido irregular. A eleição foi vencida pelo maior partido aliado dos militares.

Restrição

Suu Kyi disse que não foi sujeita a nenhuma restrição desde que foi solta. O editor para Assuntos Internacionais da BBC John Simpson disse, porém, que vários oficiais militares observavam a entrevista do outro lado da rua.

Em uma entrevista anterior à BBC, concedida no sábado, pouco após sua libertação, a Nobel da Paz disse que pretende ouvir o povo birmanês e representantes de outras nações sobre a democratização de Mianmar, antes de planejar seus próximos passos .

"Há muito sobre o que eu quero aprender agora. Quero ouvir o que as pessoas querem, o que os outros países querem, o que eles acham que podem fazer por nós e o que nós achamos que eles podem fazer por nós. E decidir por algo que seja aceitável para o máximo de pessoas possível", disse.

Ela afirmou também que não teme uma nova ordem de prisão da Junta Militar: "Não estou com medo, não digo para mim mesma que não vou fazer isso ou aquilo porque eles podem me prender novamente. Mas sei que sempre existe a possibilidade de que eu volte a ser presa e isso não é algo que eu queira. Quando você é preso, não pode trabalhar tanto quanto se estivesse livre."

Reconciliação

A ativista evitou fazer críticas ao governo birmanês e disse que pretende buscar uma reconciliação com a Junta Militar. "Acho que nós teremos de resolver nossas diferenças na mesa, conversando uns com os outros, percebendo por que discordamos e tentando remover as fontes de desacordo se for possível", declarou.

"Não critico as pessoas só por criticá-las. Muitas coisas que eu acho que tem de ser ditas sobre os generais, eu já disse. Pode chegar um momento - espero que não existam muitos desses momentos - quando eu terei de repetir essas críticas porque será inevitável. Mas não quero simplesmente criticar essa ou aquela pessoa. Aliás, gostaria de esclarecer que nunca critiquei qualquer general de forma pessoal."

Ela disse que as alegações de fraude nas eleições parlamentares do país serão investigadas por um comitê especial de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (NLD).

Sobre o período de detenção, Suu Kyi afirmou que "não tem bases para reclamar", já que "estava muito melhor em prisão domiciliar" do que a maioria dos 2,2 mil presos políticos em Mianmar. "Realmente não acho que tenho bases para reclamar. Lutei contra essa prisão domiciliar porque acredito na lei e não acho que eles tinham direito - pela lei - de me colocar em nenhum tipo de detenção. Mas eu reconheço e aceito que minha situação era muito melhor do que as pessoas que estão na prisão. Só quero que elas sejam libertadas o quanto antes."

    Leia tudo sobre: Suu Kyimianmarnobel da pazprisãolíder opositora

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG