Situação humana no Paquistão é crítica, diz ONU

Organização diz que número de desabrigados subiu de dois milhões para seis milhões e que escala da crise aumenta "constantemente"

BBC Brasil |

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Representantes da ONU no Paquistão alertaram nesta segunda-feira que as enchentes que atingem o Paquistão fizeram com que a situação humana no país chegasse a um estágio crítico. A entidade calcula que o número de pessoas que precisam de abrigo passou de dois milhões para seis milhões e que a escala da crise vem aumentando constantemente.

De acordo com funcionários do governo e agências humanitárias, na província de Sindh, no sul do país - onde fica Karachi, a maior cidade paquistanesa - mais de 80% da população foi obrigada a deixar suas casas.

Na região de Hyderabad, a segunda cidade mais populosa de Sindh, o Rio Indo atingiu o nível mais alto em mais de 50 anos e deve subir ainda mais na terça-feira. Além de abrigo, alimentos e água potável, os desabrigados necessitam urgentemente de proteção contra ao forte sol que atinge o país nessa época do ano, verão no hemisfério norte.

A ONU havia declarado nos últimos dias que as cheias deste ano, que completam um mês esta semana, representam desastre maior do que o tsunami de 2005 e o terremoto que atingiu o Paquistão no mesmo ano, juntos.

O número de mortos no país passou de 1,6 mil e o de afetados supera os 17 milhões.

Dinheiro

Também nesta segunda-feira, a ONU disse já ter recebido 70% do dinheiro requisitado para o auxílio emergencial ao Paquistão.

Diferentemente do que ocorre normalmente na maioria dos apelos internacionais, a resposta dos doadores foi maior na segunda semana do que na primeira. O Fundo Monetário Internacional terá uma reunião com o governo paquistanês para discutir os rumos da economia do país, bastante afetada pelas cheias. O Paquistão estima em US$ 15 bilhões os custos para a reconstrução do país.

Afetados

Nas primeiras semanas as áreas mais afetadas ficavam no norte do país, mas atualmente a província de Sindh é a que mais sofre com o aumento do nível das águas. Muitas comunidades vêm se defendendo das águas com barreiras improvisadas com barro. Outras regiões permanecem isoladas por causa do colapso de estradas e pontes.

O governo e entidades internacionais já declararam temer que grupos insurgentes radicais aproveitem o desastre para angariar simpatizantes ao fornecer ajuda a áreas que o governo não chega.

Nesta segunda-feira um homem-bomba detonou seus explosivos em uma mesquita do Wazaristão do Norte, área tribal do norte paquistanês considerada reduto do Taleban, matando pelo menos 20 pessoas. Este está sendo considerado o primeiro ataque suicida desde o início das cheias.

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