Símbolo da limpeza étnica, Mladic liderou maior atrocidade na Europa desde 2ª Guerra

General foi um dos principais artífices do cerco a Sarajevo e liderou a matança promovida pelas forças sérvias em Srebrenica

BBC Brasil |

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O general Ratko Mladic, cuja prisão foi anunciada nesta quinta-feira , foi chefe do Exército servo-bósnio durante a Guerra da Bósnia (1992 a 1995), homem responsabilizado por muitos pelas mais graves atrocidades cometidas no conflito. Ao lado do líder político servo-bósnio Radovan Karadzic, ele passou a simbolizar a campanha de "limpeza étnica" contra croatas e muçulmanos.

Ele se tornou um dos homens mais procurados do mundo, e o fato de ter permanecido foragido por mais de uma década se tornou uma fonte de constrangimento para a Sérvia - e o maior ponto nevrálgico na relação do país com o Ocidente.

Mladic foi indiciado pelo Tribunal de Crimes de Guerra da ONU com acusações de genocídio e outros crimes contra a humanidade - incluindo o massacre de até 8 mil homens e meninos muçulmanos na cidade de Srebrenica , em 1995.

Depois de viver em liberdade por algum tempo, Mladic desapareceu quando o ex-presidente Iugoslavo Slobodan Milosevic foi preso, em 2001. Em outubro de 2004, ex-aliados do general Mladic começaram a se entregar ao tribunal de crimes de guerra, à medida que aumentava a pressão internacional sobre Belgrado por cooperação na caçada a responsáveis por atrocidades na guerra da Bósnia.

Entre eles estavam Radivoje Miletic e Milan Gvero, ambos acusados de envolvimento na chamada limpeza étnica. A especulação aumentou sobre uma prisão iminente de Mladic após Radovan Karadzic ter sido preso em Belgrado, em julho de 2008.

Comandante

Mladic nasceu na Bósnia, no vilarejo de Kalinovik, em 1942. Ele cresceu na Iugoslávia sob o regime de Tito e se tornou um oficial do Exército do Povo Iugoslavo. Quando o país começou a se desintegrar em 1991, ele foi enviado para liderar a 9ª Corporação do Exército Iugoslavo contra as forças croatas, em Knin.

Mais tarde, assumiu o comando do Segundo Distrito Militar do Exército Iugoslavo, com base em Sarajevo.
Em maio de 1992, a Assembleia Servo-Bósnia votou pela criação de um Exército servo-bósnio, nomeando Mladic como seu comandante.

Ele era considerado um dos principais artífices do cerco de 43 meses a Sarajevo, e, em 1995, liderou a matança promovida pelas forças sérvias em Srebrenica - a maior atrocidade cometida na Europa desde a Segunda Guerra.

Forças servo-bósnias cercaram o enclave de Srebrenica, onde dezenas de milhares de civis - na maioria muçulmanos - tinham buscado refúgio de outras ofensivas sérvias no nordeste da Bósnia. O enclave estava sob proteção de forças da ONU.

As forças sérvias bombardearam Srebrenica por cinco dias, antes de as forças de Mladic entrarem na cidade, acompanhadas de equipes de filmagem sérvias. No dia seguinte, ônibus chegaram para levar mulheres e crianças que se escondiam em Srebrenica a território muçulmano, enquanto sérvios separavam todos os meninos e homens muçulmanos - com idades entre 12 e 77 anos - "para interrogatório por suspeitas de crimes de guerra".

Nos cinco dias após a entrada das forças sérvias em Srebrenica, quase 8 mil homens e meninos muçulmanos foram assassinados. Após o fim da guerra da Bósnia, Mladic voltou a Belgrado, onde usufruía de apoio e proteção de Milosevic.

Escondido

Ele vivia abertamente na cidade - visitando locais públicos, comendo em restaurantes caros e até participando de jogos de futebol. Até a prisão de Milosevic. Alguns relatos dão conta de que ele buscou refúgio em seu bunker em Han Pijesak, não muito longe de Saravejo, ou em Montenegro. Outros dizem que ele permanecer em Belgrado ou nos seus arredores.

A ex-promotora do Tribunal de Crimes de Guerra Carla del Ponte afirmou que ele e Karadzic estavam na cidade em fevereiro de 2004. Ele teria problemas de saúde. Em abril de 2005, o chanceler sérvio Vuk Draskovic disse que agentes de segurança sérvios conheciam o paradeiro de Mladic. O chefe do serviço de inteligência sérvio descreveu as acusações então como "ridículas".

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