Sem apoiar o Brasil, Ban Ki-moon defende reforma do Conselho de Segurança

Secretário-geral da ONU está consciente de intenções do Brasil como membro permanente, mas acredita que tema deve ser discutido entre Estados-membros

BBC Brasil |

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O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira em Brasília que o Conselho de Segurança da ONU deve ser modificado para se adaptar à nova realidade geopolítica mundial.

AP
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à esq.), caminha à frente do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, depois de sua chegada ao Itamaraty, em Brasília
“Isso significa que ele deve ser reformado de modo que se torne mais representativo, com mais credibilidade e democrático. Os Estados-membros começaram negociações em um texto-base, e espero que isso se acelere”, afirmou Ban em entrevista coletiva, após se encontrar com o chanceler Antonio Patriota no Palácio do Itamaraty.

Ban disse que está “totalmente consciente” da ambição brasileira de se tornar um membro permanente no Conselho – atualmente, o país ocupa um assento rotativo no órgão – e afirmou que o tema “deve ser discutido entre os Estados-membros”.

O sul-coreano chegou ao Brasil nesta quinta-feira, após visitar Colômbia, Argentina e Uruguai, e ainda nesta quinta-feira terá um encontro com a presidenta Dilma Rousseff. Sua viagem antecede a eleição para a secretaria-geral da ONU, cargo que ele ambiciona ocupar por mais um mandato de quatro anos. Como é o único candidato, dificilmente enfrentará obstáculos.

Maior papel

Ban disse ter afirmado aos líderes de todos os países sul-americanos que visitou que “eles podem ter um papel muito maior na ONU e em organizações multilaterais”. “Ao mesmo tempo, a ONU pode ter um papel maior na região, em termos de promoção de instituições democráticas, direitos humanos e a promoção da cooperação sul-sul”.

Na coletiva, Ban disse ainda ter tratado, em seu encontro com Patriota, da Conferência de Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que deve ocorrer em junho de 2012. “(Desenvolvimento sustentável) será a questão prioritária mais importante para ONU. (…) Avançamos rápido, mas não conseguimos chegar a um consenso sobre um acordo amplo e aceitável.”

Ele afirmou também que o Brasil, dado o papel internacional que conquistou nos últimos anos, está em posição estratégica para construir consensos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Mundo árabe

Comentando as instabilidades no mundo árabe, particularmente na Síria e na Líbia, Ban disse ter conversado muitas vezes com o líder sírio, Bashar Al-Assad, e o exortado a “ouvir os desejos e as aspirações de seu povo”. “É totalmente inaceitável que muitos civis se manifestando pacificamente para conquistar seus direitos genuínos de maior liberdade e democracia sejam mortos e feridos.”

Quanto à Líbia, disse esperar que o regime do coronel Muamar Kadafi promova um cessar-fogo que possa ser verificado, para que a ONU e outras entidades internacionais possam prover ajuda humanitária aos afetados pelo conflito.

Após o encontro, Patriota disse que tem conversado com chanceleres de alguns países do Conselho de Segurança na tentativa de articular a elaboração de uma declaração presidencial sobre a violência na Síria. A declaração presidencial, afirmou o chanceler, não precisaria ser votada e “seria uma maneira de o Conselho de manifestar sobre uma situação que é preocupante e complexa”. Segundo Patriota, Ban lhe disse considerar desejável a iniciativa. 

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