Sanções contra Irã não terão resultado, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que novas sanções contra o Irã - que vêm sendo cogitadas por vários países, depois que Teerã anunciou que iria aumentar o porcentual de enriquecimento de seu urânio - não irão fazer o país asiático mudar de posição. É preciso que haja um diálogo direto.

BBC Brasil |

O Brasil está pronto a ajudar nesse diálogo, mas evidentemente tem de haver uma disposição das partes principais. Agora, nós não acreditamos que sanções vão ter resultados", disse o chanceler em Brasília.

O ministro destacou que o Irã é um país "importante, tem uma diversidade econômica grande" e que o prejuízo "como sempre é para os mais pobres, mais fracos".

A comunidade internacional está discutindo novas sanções contra o Irã desde o anúncio de que o país iria enriquecer urânio a 20% - processo iniciado nesta terça-feira.

Até agora o Irã enriquecia urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento de um reator nuclear de Teerã, capaz de produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em pelo menos 95%.

Diálogo
Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países com vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.

Na semana passada, Ahmadinejad afirmou que o Irã não teria "nenhum problema" se a maior parte de seus estoques de urânio fosse mantido no exterior por vários meses antes de ser enviado de volta na forma de bastões de combustível nuclear.

Essa era a essência de uma proposta apresentada a Teerã para resolver o impasse sobre seu programa nuclear, mas até então acreditava-se que o Irã vinha rejeitando a ideia.

Vários países reagiram com cautela ao anúncio feito por Ahmadinejad e afirmaram que o presidente deveria informar à AIEA se estava realmente aceitando o acordo.

"Acho que o que o Ahmadinejad falou publicamente vai de encontro ao que propôs a AIEA, mas é preciso um esforço para checar. A não ser que, por outras razões, que não vou discutir, achem que de qualquer maneira é melhor aplicar sanções (...). Mas não creio que isso trará bons resultados", disse Amorim, criticando a falta de diálogo.

"Não adianta fazer uma proposta e ficar parado, esperando esperar que a outra parte chegue exatamente outro chegue exatamente no que você propôs", disse o ministro.

'Radicalizações'
Também nesta terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reforçou o discurso afinado do governo brasileiro sobre a questão nuclear iraniana e voltou a defender, nesta terça-feira, o diálogo com o Irã.

Jobim criticou o que chamou de "radicalizações" e sinalizou que o Brasil poderá manter o apoio ao Irã. "O Brasil não é contra ninguém. Nós temos a tradição de resolver as coisas no diálogo".

Questionado se o Brasil deveria comprar a briga em favor do Irã, o ministro rebateu: "Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós".

Apesar das mudanças em seu programa nuclear, o país aposta na manutenção do apoio brasileiro.

Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que cabe à AIEA inspecionar o programa nuclear de seu país e que o presidente Mahmoud Ahmadinejad não quer fechar as portas às negociações para a compra de combustíveis de outros países.

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