Saiba quem é quem na crise do Egito

Onda de protestos contra Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, levanta especulações sobre potenciais sucessores do presidente

BBC Brasil |

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A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak no Egito levantou uma série de especulações sobre o futuro do país e sobre os potenciais sucessores do líder que comanda o país há 30 anos. Esse drama político, observado com grande preocupação por outros países da região e pelos Estados Unidos - que viam Mubarak como um importante aliado -, trouxe à cena novos personagens que estão tendo ou poderão ter um papel importante nas negociações por um governo de transição ou mesmo um novo governo. Saiba mais sobre as principais personagens da crise egípcia:

AP
Manifestante segura cartaz onde se lê "Fora" sobre imagem do presidente egípcio, Hosni Mubarak, na Praça Tahrir, no Cairo
Hosni Mubarak : Nascido em 1928, é presidente do Egito desde outubro de 1981, depois do assassinato de Anwar Sadat, de quem foi vice. É o principal alvo dos protestos , que exigem a sua saída imediata. Mubarak governa o Egito com mão de ferro, escorado em uma lei de emergência que dá ao Estado amplos poderes repressivos, que têm sido usados sem parcimônia para coibir militantes islâmicos. Com apoio dos EUA, Mubarak sempre buscou uma convivência pacífica com Israel. Seu governo atua frequentemente como mediador entre os israelenses e os palestinos. Mubarak, que era militar e foi comandante da Força Aérea antes de ser vice de seu antecessor, continua no poder depois de vencer quatro eleições presidenciais, sendo que em três ele disputou como candidato único. Críticos acusam o presidente e o seu Partido Nacional Democrático (NDP, na sigla em inglês) de fraudar eleições e de suprimir grupos de oposição do processo eleitoral, especialmente o movimento Irmandade Muçulmana. Para tentar abrandar a atual onda de protestos, Mubarak dissolveu seu gabinete de governo e indicou que conduzirá reformas políticas no Egito , mas não deu sinais de que pretende deixar a presidência imediatamente.

AFP
O opositor reformista Mohamed ElBaradei dá entrevista após desembarcar no Cairo, Egito (27/01/2011)
Mohammed ElBaradei: Ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2005, é uma das principais vozes de oposição a Mubarak no Egito. Nascido em 1942, ElBaradei formou-se em Direito pela Universidade do Cairo. Foi chefe da AIEA entre 1997 e 2009, período no qual atuou nas negociações com a Coreia do Norte e o Irã. Antes da invasão do Iraque, em 2003, ElBaradei questionou as alegações, feitas pelos Estados Unidos, de que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa. ElBaradei tem participado ativamente dos protestos no Cairo. Ele nunca disputou eleições, mas seu nome é fortemente cogitado para liderar um governo de transição, caso Mubarak deixe o poder. Para isso, ElBaradei já recebeu o apoio de diversos partidos e movimentos de oposição, como a Irmandade Muçulmana - grupo que ele chegou a apoiar em algumas ocasiões, o que, segundo analistas, desperta incertezas por parte do governo americano. ElBaradei também sofre críticas internas por ter morado muito tempo fora do Egito e, por esse motivo, supostamente ter pouco conhecimento da realidade do país. Especialistas afirmam que, para vários egípcios, o fato de ElBaradei ser um civil conta pontos para ele - o país é governado por militares desde 1958.

AP
Foto de 22/04/2009 mostra o chefe da Inteligência do Egito Omar Suleiman, nomeado vice-presidente egípcio em janeiro de 2011
Omar Suleiman: Nomeado vice-presidente em meio à crise, é o primeiro a ocupar esse cargo nos quase 30 anos do governo de Mubarak, em uma nomeação vista como uma demonstração do presidente de que estaria disposto a ceder parte de seu poder. A nomeação também seria um gesto para agradar as Forças Armadas, já que Suleiman também é militar de carreira. Alguns especialistas interpretaram a nomeação como uma indicação de que ele seria o candidato de Mubarak para sucedê-lo. Antes de ser vice-presidente, chefiou o serviço de inteligência egípcio por 18 anos. Nesse período, chegou a ser indicado pela revista Foreign Policy como o chefe de inteligência mais poderoso do Oriente Médio - à frente de Meir Dagan, líder do Mossad (agência de espionagem israelense). Nascido em 1935, formou-se na Academia Militar egípcia, tendo participado das guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). Já como chefe da inteligência egípcia, foi tido como responsável por salvar a vida de Mubarak, quando insistiu que o presidente utilizasse um carro blindado em uma visita à Etiópia, em 1995. Na ocasião, Mubarak sofreu um atentado a tiros, ao qual escapou sem ferimentos. Apoiado pelas Forças Armadas, é um aliado próximo do presidente. Nos últimos anos, atou como mediador entre Israel e os palestinos, bem como entre facções rivais palestinas.

Mohammed Badie: Líder do movimento Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, embora atue na ilegalidade. Nascido em 1943, ele se formou em veterinária em 1965, mesma época em que entrou para a Irmandade. À época, ele era adepto da luta armada em defesa do Islã. Badie chegou a ficar preso por nove anos, acusado de participar de um grupo paramilitar, e acabou sendo libertado em 1974. Hoje, trabalha como professor de Patologia Veterinária. Foi indicado como líder da Irmandade em janeiro de 2010, com uma plataforma moderada, em defesa de reformas graduais, da igualdade das mulheres e dos direitos da minoria cristã egípcia. Na atual crise, Badie se manifestou favorável à saída imediata de Mubarak e à criação de um governo de união nacional. "Eu o peço (a Mubarak) que se curve às exigências do seu povo para evitar um desastre", disse ele a uma TV francesa.

Ahmed Shafiq: Primeiro-ministro do Egito, nomeado pelo presidente Mubarak durante a atual crise, no lugar de Ahmed Nazif. Foi designado como responsável para formação do novo gabinete, depois que o presidente dissolveu o anterior. É ex-comandante da Força Aérea egípcia e ex-ministro da Aviação Civil. Nascido em 1941, entrou para as Forças Armadas aos 20 anos. Combateu na Guerra do Yom Kippur (1973) sob o comando de Mubarak. Até chegar ao cargo de primeiro-ministro, sua carreira política foi marcada principalmente por sua gestão no setor de aviação civil egípcio, com a modernização de aeroportos e a reestruturação da estatal aérea EgyptAir.

AP
Foto de 06/01/2011 mostra Gamal Mubarak, filho do presidente egípcio, Hosni Mubarak, no Cairo
Gamal Mubarak: Filho mais novo de Hosni Mubarak, vice-secretário-geral do partido governista NDP e um dos principais alvos dos protestos populares realizados no Egito. Nascido em 1963, estudou na Universidade Americana do Cairo. Fez carreira no setor financeiro, tendo residido por muitos anos na Grã-Bretanha. Chegou ao NDP em 2000, por indicação de seu pai. Embora tenha sido apontado desde então como possível "herdeiro" da presidência egípcia, Gamal sempre desmentiu qualquer intenção de suceder Mubarak. Já manifestou ser um admirador dos ex-primeiros-ministros britânicos Winston Churchill e Margaret Thatcher.

Amr Moussa: Secretário-geral da Liga Árabe desde 2001 e ex-ministro das Relações Exteriores egípcio, é um dos nomes especulados para disputar a eleição presidencial marcada para o fim de 2011. Moussa nasceu em 1936 e fez carreira como diplomata, tendo sido representante permanente do Egito nas Nações Unidas. Embora não tenha se manifestado claramente a favor da saída de Mubarak, Moussa já disse que espera a adoção de reformas democráticas por parte do governo, afirmando que "qualquer novo governo deve ouvir aquilo que o povo está dizendo".

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