Saiba mais sobre a crise em Mali

País do oeste da África, que foi palco de golpe de Estado no fim de março, enfrenta rebeldes separatistas na região norte

BBC Brasil |

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O Mali está enfrentando uma crise política sem precedentes, a mais grave desde que o país do oeste da África conseguiu a independência da França, em 1960.

Separatistas: Rebeldes tuaregues anunciam independência do norte

Os rebeldes tuaregues declararam a independência de uma área no norte do Mali. O Movimento Nacional para Libertação da Azawad (MNLA) anunciou através de seu site a declaração de independência do território, reivindicando seu reconhecimento por governos de outras nações africanas.

EFE
Foto de outubro de 2011 mostra rebeldes tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawad, em Kidal, Mali
A União Africana e a União Europeia, no entanto, rejeitaram a declaração.

O avanço dos rebeldes tuaregues sobre o norte do Mali ocorreu depois que dissidentes do Exército derrubaram o governo do país há duas semanas.

O Exército tomou o poder acusando o governo eleito de não ser severo o bastante com os rebeldes. Mas, enquanto os militares cuidavam de outros problemas, os rebeldes avançaram rapidamente.

O Mali é um dos países mais pobres do mundo e os países vizinhos ainda ameaçaram impor um bloqueio econômico ao país depois do golpe do mês passado.

Saiba quem são os principais envolvidos na crise política do Mali.

Presidente Amadou Toumani Touré

O general do Exercito é visto por muitos como o homem que resgatou o Mali da ditadura militar e estabeleceu a democracia no país. Conhecido como ATT, ele deveria deixar o cargo em abril, mas foi deposto da presidência em março.

Touré ocupou o poder pela primeira vez em um outro golpe, em 1991, derrubando o líder militar Moussa Traore. As forças de segurança haviam matado naquela época mais de 100 manifestantes pró-democracia. Ele entregou o poder aos civis no ano seguinte, o que fez com que Touré ficasse conhecido como "soldado da democracia". 

Em maio de 2002, Touré venceu as eleições presidenciais e, em 2007, foi reeleito.

Nascido em 1948, Touré não tem um partido oficial e sempre tentou conseguir o apoio do maior número possível de grupos políticos do país. Ele ainda está em liberdade e provavelmente está na capital, Bamaco, ou nas proximidades.

O líder do golpe

O golpe do dia 21 de março parece ter sido espontâneo, surgido de um motim no acampamento militar de Kati, a cerca de dez quilômetros do Palácio Presidencial em Bamaco.

Golpe de Estado: Militares tomam o poder e suspendem Constituição em Mali

Foi liderado por um oficial de média patente do Exército, capitão Amadou Sanogo, um dos poucos que não fugiram do acampamento de Kati quando o motim começou. Sanogo, que tem mais de 35 anos, é de Segou, a segunda maior cidade do Mali, a cerca de 240 quilômetros ao norte de Bamaco. O pai de Sanogo era enfermeiro no centro médico da cidade.

O jornalista Martin Vogl, em Bamaco, descreve o militar como um homem carismático e simpático, porém de modos ásperos. Sanogo passou toda sua vida profissional no Exército do Mali e teve parte de seu treinamento nos Estados Unidos.

Os rebeldes tuaregues

O Movimento Nacional para LIbertação da Azawad (MNLA) e o grupo Ansar Dine Islâmico são os dois maiores grupos tuaregues envolvidos na ocupação do norte do Mali. Outros grupos menores afirmam que também participaram dos combates.

Apesar de ter objetivos diferentes, o MNLA e o Ansar Dine se unem de vez em quando e isso aconteceu na captura da cidade de Timbuktu, na região norte. Mas segundo Martin Vogl, existem tensões entre os grupos.

O MNLA quer a independência para sua região, que chama de Azawad. Uma declaração divulgada pelo MNLA afirma que agora que estão controlando o norte do país, vão parar com as lutas e iniciar a "missão de defender o território de Azawad, para a felicidade de seu povo".

Duas figuras importantes no MNLA são o secretário-geral do movimento, Bila Ag Cherif, e o chefe do braço militar do grupo, Mohame Ag Najim. Entre os membros do grupo estão tuaregues que, durante a rebelião na Líbia, lutaram junto com as forças de Muamar Kadafi, quando ele tentava se manter no poder. Depois da queda e morte de Kadafi esses tuaregues voltaram para o Mali, bem treinados e carregando armamentos pesados.

O outro grande grupo tuaregue, o Ansar Dine Islâmico, é liderado pelo ex-líder tuaregue Iyad Ag Ghali.
O grupo tem ligações com o braço da Al-Qaeda no norte da África, conhecido como a Al-Qaeda no Magreb Islâmico. O Ansar Dine afirma que não luta pela independência, quer que a região norte do país continue sendo parte do Mali, mas quer introduzir a sharia (lei islâmica) em todo o país, que é, em sua maioria, muçulmano.

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