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Rival de Sarkozy cria partido para direita francesa desiludida

O ex-primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, grande rival do presidente Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quinta-feira a criação de um partido para oferecer uma nova alternativa à direita francesa.

BBC Brasil |

AP
Villepin fala durante coletiva nesta quinta

Villepin fala durante coletiva nesta quinta

Segundo analistas, Villepin pretende representar nas eleições presidenciais de 2012 uma opção aos eleitores de centro-direita decepcionados com a política do presidente Sarkozy.

Villepin, até então membro do partido governista UMP, afirmou que a nova sigla, ainda sem nome, é "livre, independente e aberto a todos". O partido será oficialmente criado em 19 de junho em um congresso fundador.

O anúncio ocorre quatro dias após a grande derrota do UMP nas eleições regionais, tidas como o último teste político importante antes das presidenciais.

O resultado do último domingo foi considerado um veredicto contra a atuação do presidente Sarkozy. Vários políticos do UMP apontaram a estratégia adotada por Sarkozy como um dos motivos da derrota.

O presidente francês optou por concorrer um partido único durante as eleições regionais - reunindo centristas e partidos políticos da direita com menor representatividade, que acataram o conselho do presidente e não lançaram candidatos.

Membros do UMP fizeram inúmeras críticas em relação à falta de opções dos eleitores de centro-direita, desiludidos com a política do governo ou com o próprio estilo pessoal do presidente Sarkozy.

Essa ausência de possibilidades de escolha explicaria, segundo analistas, o alto índice de abstenção dos eleitores de direita na votação. A abstenção entre os eleitores de direita seria superior à taxa nacional, de 49%.

Eleição de 2012

Na coletiva em que anunciou a criação de seu partido, Villepin não pronunciou nenhuma vez o nome de Sarkozy, mas foi extremamente crítico em relação à linha de ação do governo e propôs várias alternativas. Ele afirmou sentir "um mal-estar em relação à política conduzida pela maioria parlamentar atualmente".

O ex-primeiro-ministro não quis confirmar se seria candidato às eleições presidenciais de 2012, mas deu a entender que poderia fazer esse anúncio em junho, quando o partido será oficialmente criado.

Analistas políticos afirmam que, em conversas privadas, Villepin já teria expressado seu desejo de ser candidato na próxima eleição.

Diferentemente de Sarkozy, em queda livre nas pesquisas de opinião com apenas 36% de aprovação, índice considerado um dos mais baixos de um líder francês em décadas, Villepin dispõem atualmente de boa popularidade.

Em uma pesquisa de opinião do Instituto CSA para o jornal Le Parisien, divulgada na segunda-feira, Villepin tem a preferência dos eleitores como candidato do UMP na próxima eleição presidencial.

Villepin obteve 17% na preferência dos franceses, enquanto Sarkozy registrou 14%. Mas como a pesquisa engloba também eleitores da esquerda, é normal que Villepin, por representar uma oposição a Sarkozy, tenha resultados melhores, dizem analistas.

Em janeiro passado, o ex-premiê francês foi inocentado das acusações de ter participado de uma conspiração para difamar Sarkozy e prejudicar sua candidatura nas eleições presidenciais de 2007.

O caso que levou Villepin à Justiça, conhecido como Clearstream, se refere a uma lista falsa de nomes que teriam recebido propina em uma venda ilegal de armas.

Mas o Ministério Público francês recorreu da sentença que absolveu Villepin. O recurso deverá ir a julgamento apenas em 2012, afirmou a imprensa francesa nesta semana.

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