Resultado de eleição britânica está longe de ser compreendido, diz especialista

Os eleitores britânicos estão acostumados a ver primeiros-ministros discursando triunfantes nos degraus de Downing Street após as eleições. Esse ano as coisas podem ser bem diferentes.

BBC Brasil |

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Os conservadores obtiveram ganhos amplos, mas as projeções sugerem que estes não seriam amplos o suficiente para dar a David Cameron a maioria absoluta no Parlamento. Os trabalhistas perderam muitos assentos, mas ainda não seu primeiro-ministro. Como ocupante do Número 10 (a sede do governo britânico, em Downing Street), cabe a Gordon Brown decidir se pode fazer um acordo para ficar no poder, ou se deve renunciar. Os Liberais Democratas parecem estar caminhando rumo à decepção. Um partido que tinha as maiores esperanças depois dos debates de TV pode ter que se satisfazer apenas com uma performance mediana. As declarações dos líderes dos partidos em relação ao resultado das eleições foram vagas. David Cameron disse que os trabalhistas perderam seu mandato para governar. Gordon Brown disse que era seu dever garantir que a Grã-Bretanha tenha um governo forte e estável. Eles - como o restante de nós - não sabem o que acontecerá em seguida. Cada partido teve seus triunfos e suas decepções. Os Liberais Democratas perderam Montgomeryshiree e um de seus patrimônios mais interessantes, o parlamentar Lembit Opik, derrotado pelos conservadores, além de Evan Harris em Oxford West. Mas o partido ganhou Eastbourne, derrotando os conservadores. Os conservadores, por sua vez, conquistaram muitas cadeiras, mas não conseguiram derrotar os trabalhistas que esperavam derrotar, como Sadiq Khan em Tooting e Gisela Stuart, em Birmingham Edgbaston. Os trabalhistas viram a derrota de dois de seus ex-ministros do Interior, Jacqui Smith e Charles Clarke, mas o ministro da Educação, Ed Balls, e a ex-ministra das Comunidades Hazel Blears, conseguiram manter seus assentos. Em alguns casos, os eleitores pareciam estar tomando decisões com base na preocupação com assuntos locais, mais do que com os nacionais. Em Redcar, onde metalúrgicas foram desativadas, a parlamentar trabalhista Vera Baird perdeu sua cadeira, devido a um grande número de votos nos Liberais Democratas. Outros perderam a chance de ter sua voz ouvida. Em locais de votação por todo o país, filas de pessoas ainda esperavam pela hora de votar, quando as portas se fecharam. Isso provocou cenas de descontentamento e raiva, e pode até mesmo levar candidatos frustrados a abrir processos. Os líderes dos partidos agora têm que tentar entender a situação confusa. Se o resultado fosse uma maioria absoluta conservadora, as coisas seriam simples. Mas não são, e Gordon Brown poderia tentar obter um acordo com os Liberais Democratas. Se ele não conseguir ou sequer tentar essa opção, David Cameron terá que decidir o quanto deve confiar em um acordo com partidos minoritários, para encorajar os Liberais Democratas a apoiar os conservadores, ou tentar seduzir Nick Clegg com um lugar em uma coalizão formal. Se a eleição geral de 2010 terminar com esse tipo de acordo, pode levar algum tempo até que o verdadeiro resultado eleitoral seja compreendido.

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