Refém mais antigo das Farc é libertado com ajuda do Brasil

Depois de mais de doze anos de cativeiro, o oficial do Exército colombiano Pablo Emilio Moncayo foi libertado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nesta terça-feira e entregue a uma missão humanitária que contou com o apoio do Brasil. A informação foi confirmada na tarde desta terça-feira pelo pai de Pablo Emilio, Gustavo Moncayo, em declarações transmitidas ao vivo pela televisão.

BBC Brasil |

"A emoção é muito grande, graças meu Deus (...), bem-vindo à liberdade Pablo Emilio, vamos romper essas correntes e lutar pela liberdade dos demais companheiros (reféns)", disse o professor Gustavo Moncayo, emocionado, ao mostrar as correntes que traz presas às mãos, símbolo de sua luta pela libertação do filho.

Moncayo pediu a ajuda dos governos latino-americanos, em especial dos presidentes do Brasil, Venezuela, Equador e Argentina, para mediar as negociações a favor de um acordo humanitário que prevê a libertação dos 22 reféns que ainda estão em poder das Farc em troca de centenas de guerrilheiros presos.

"Podemos formar uma equipe de trabalho para que se estabeleça diálogo entre governo e a guerrilha (...) há uma necessidade de dizer não à violência, sequestros e violação aos direitos humanos, queremos a paz, é isso o que estamos pedindo", afirmou Moncayo.

Segundo o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Adolfo Beteta, o retorno da aeronave com o refém do local do resgate pode ser atrasado devido ao mau tempo.

Caminhante pela Paz
O sequestro de Pablo Emilio ganhou projeção internacional em junho de 2007, quando seu pai, o professor Gustavo Moncayo, realizou uma caminhada de 46 dias do Departamento (Estado) colombiano de Nariño à capital Bogotá para exigir do governo Álvaro Uribe celeridade no processo de soltura de seu filho e dos demais reféns da guerrilha.

Desde então, Gustavo Moncayo passou a conhecido como o "Caminhante pela Paz".

Além de manifestações na Colômbia e em pelo menos cinco países europeus, no ano passado Moncayo caminhou 1,6 mil quilômetros até a capital da Venezuela, Caracas, para pedir a intervenção do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na mediação entre o governo colombiano e a guerrilha para a libertação dos reféns.

O cabo Pablo Emilio Moncayo foi sequestrado em dezembro de 1997 - apenas 18 meses depois de ter ingressado no Exército - junto com outros 17 soldados, em um ataque da guerrilha a uma base de operações do Exército colombiano no Departamento de Nariño.

Dez militares morreram durante o enfrentamento com os rebeldes. Deste grupo de sequestrados, 16 militares já foram soltos.

Agenda eleitoral
Com a libertação de Moncayo pelas Farc, chega ao fim o processo de libertações unilaterais e incondicionais que vinham ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram soltos.

No domingo, foi libertado pela guerrilha o soldado Josué Daniel Calvo, depois de onze meses em cativeiro.

A partir de agora, as Farc pretendem retomar o diálogo para concretizar um controvertido acordo humanitário que colocaria em liberdade os 22 militares que ainda estão em poder dos rebeldes, em troca da libertação de centenas de guerrilheiros presos.

Nos últimos dias, um possível acordo entre o governo e a guerrilha passou ser o centro da agenda político-eleitoral colombiana, a poucos meses das eleições presidenciais, previstas para maio.

Para a senadora Piedad Córdoba, que participou da operação de resgate e é a principal mediadora entre o governo e as Farc, o acordo humanitário deveria ocorrer antes do final do mandato do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Caso contrário, segundo a senadora afirmou na manhã desta terça-feira, um acordo "seria difícil" e poderia demorar "pelo menos outros dois ou três anos", durante a gestão de um novo governo.

"Temos que trabalhar governo, Farc e (o movimento) Colombianos pela Paz (que tenta mediar um acordo humanitário) para que o intercâmbio ocorra antes de 7 de agosto", escreveu a senadora no site Twitter.

Segundo a parlamentar, as Farc já têm uma proposta que deve ser entregue pelo movimento Colombianos pela Paz ao presidente colombiano.

Debates
No domingo, após a libertação do oficial Josué Daniel Calvo, Uribe disse estar disposto a negociar um acordo com a guerrilha, sob a condição de que os rebeldes soltos abandonem definitivamente a luta armada.

A negociação do acordo tem dividido a opinião dos candidatos que disputarão a Presidência em maio.

O debate entre os presidenciáveis gira em torno de aceitar o diálogo com a guerrilha, insistir no método de resgates militares forçados ou levar as Farc a darem continuidade às libertações incondicionais.

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