`Quero ouvir o que outros países podem fazer por nós', diz Suu Kyi

Nobel da Paz e ativista política foi liberada no último sábado após cumprir prisão domiciliar em Yangun, maior cidade de Mianmar

BBC Brasil |

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A líder política Aung San Suu Kyi disse, neste domingo, que pretende conversar com países ocidentais sobre a situação de Mianmar, país que é governado por uma junta militar. Suu Kyi foi liberada no último sábado após cumprir prisão domiciliar em Yangun, maior cidade do país. Em entrevista exclusiva à BBC, a Nobel da Paz disse que pretende ouvir o povo birmanês e representantes de outras nações sobre a democratização de Mianmar, antes de planejar seus próximos passos.

"Há muito sobre o que eu quero aprender agora. Quero ouvir o que as pessoas querem, o que os outros países querem, o que eles acham que podem fazer por nós e o que nós achamos que eles podem fazer por nós. E decidir por algo que seja aceitável para o máximo de pessoas possível", disse.

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Nobel da Paz e ativista política, Aung San Suu Kyi falou a uma multidão neste domingo após deixar prisão domiciliar em Mianmar
Ela afirmou também que não teme uma nova ordem de prisão da junta militar que governa o país: "Não estou com medo, não digo para mim mesma que não vou fazer isso ou aquilo porque eles podem me prender novamente. Mas sei que sempre existe a possibilidade de que eu volte a ser presa e isso não é algo que eu queira. Quando você é preso, não pode trabalhar tanto quanto se estivesse livre."

Reconciliação

A ativista evitou fazer críticas ao governo birmanês e disse que pretende buscar uma reconciliação com a junta militar. "Acho que nós teremos de resolver nossas diferenças na mesa, conversando uns com os outros, percebendo por que discordamos e tentando remover as fontes de desacordo se for possível.", declarou. "Eu não critico as pessoas só por criticá-las. Muitas coisas que eu acho que tem que ser ditas sobre os generais, eu já disse. Pode chegar um momento - espero que não existam muitos desses momentos - quando eu terei que repetir essas críticas porque será inevitável. Mas não quero simplesmente criticar essa ou aquela pessoa. Aliás, gostaria de esclarecer que nunca critiquei qualquer general de forma pessoal."

Ela disse que as alegações de fraude nas eleições parlamentares do país, que aconteceram seis dias antes de sua libertação, serão investigadas por um comitê especial de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (NLD). Partidos ligados ao governo militar obtiveram a maioria dos votos nas eleições, as primeiras realizadas no país em 20 anos.

Sobre o período de detenção, Suu Kyi afirmou que "não tem bases para reclamar", já que "estava muito melhor em prisão domiciliar" do que a maioria dos 2.200 presos políticos em Mianmar. "Eu realmente não acho que tenho bases para reclamar. Eu lutei contra essa prisão domiciliar porque acredito na lei e eu não acho que eles tinham direito - pela lei - de me colocar em nenhum tipo de detenção. Mas eu reconheço e aceito que minha situação era muito melhor do que as pessoas que estão na prisão. Só quero que elas sejam libertadas o quanto antes."

Apoio

Em coletiva de imprensa na sede do partido horas antes, a Nobel da Paz disse ainda que espera que o que faz pelo país não seja baseado somente em "autoridade moral". "Gosto de pensar que sou parte de um movimento pela democracia", declarou. Ela pediu ainda o apoio e a participação do povo birmanês na luta pela democracia. "Não posso fazer isso sozinha, vocês tem que fazer comigo", disse. "Uma pessoa sozinha não pode fazer algo tão importante quanto trazer democracia genuína a um país."

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