'Pude sentir respiração de atirador', diz sobrevivente na Noruega

Adrian Pracon relata ter usado corpos de vítimas como escuda para se defender de atirador que lançou ataque na Ilha de Utoya

BBC Brasil |

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Mais de 80 pessoas, a maioria adolescentes, foram mortas na ilha norueguesa de Utoya quando um homem abriu fogo indiscriminadamente na sexta-feira . Leia abaixo relatos de dois dos sobreviventes.

Leia resumo das principais informações do dia sobre os ataques

Adrian Pracon

Estava trabalhando no Departamento de Informação da ilha. Fomos informados por rádio a respeito da explosão em Oslo , então juntamos todas as 700 pessoas na ilha para lhes transmitir a informação. Poucos minutos depois, recebemos um telefonema dizendo que um policial estava chegando para falar conosco.

Fui até a lanchonete pegar suprimentos para todos. Ouvi então tiros e pude ver pessoas correndo. Elas eram alvejadas nas costas enquanto corriam. As pessoas caíam mortas na minha frente. Corri pelo campus até a área das barracas. Vi o atirador. Duas pessoas começaram a falar com ele e, segundos depois, foram atingidas por disparos.

Ele usava um uniforme negro, com detalhes em vermelho. Parecia um nazista, com o uniforme e o cabelo. O atirador era muito seguro, calmo e controlado. Ele parecia saber o que fazia e gritava para nós que todos íamos morrer .

Corremos para a água, alguns já haviam tirado a roupa e começado a nadar. Pensei que não tinha tempo para tirar a roupa e mergulhei, sob a chuva, vestido e calçando botas pesadas. Nadei por uns 150 metros, mas o lago tem 800 metros. Percebi que não chegaria do outro lado e voltei.

O vi parado a dez metros de distância, atirando em quem nadava. Ele apontou a metralhadora para mim e gritei: "Por favor, não faça isso." Não sei se me ouviu ou não, mas me poupou. Ele voltou uma hora depois. Eu estava com outros sobreviventes e estávamos todos deitados, escondidos atrás de árvores e rochas. Congelávamos em nossas roupas molhadas.

Os tiros começaram de novo e as pessoas caíam sobre mim, sobre minhas pernas e acabavam na água. Muitos morreram nesse momento. Fiquei atrás dessas pessoas, as usando como escudo, rezando para que ele não me enxergasse. No meio do tiroteio, levei um tiro nas costas.

Ele então chegou mais perto. Podia sentir sua respiração, suas botas, o calor do cano da arma. Mas não me mexi e isso salvou minha vida. Estou agora no hospital. O pior não é a dor física, mas pensar em quantos amigos morreram.

Stine Renate Haheim

Sou integrante do Parlamento da Noruega e participava do campo da juventude. Nos juntamos em pequenos grupos conversando sobre as bombas de Oslo. Ouvimos então alguém gritar “a polícia chegou, estamos salvos”.

Vi então um policial descendo a montanha e, repentinamente, ele começou a atirar nas pessoas com uma arma. Corremos e pulamos na água quando vimos os barcos chegando. Nos trancamos e só queríamos estar em segurança e ajudar a todos. O mais aterrorizante, talvez, era que o atirador usava uniforme policial. Ele era calmo, nunca corria, só seguia atirando. Nunca ouvi sua voz.

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