PSB descarta Ciro Gomes nas eleições e sinaliza apoio a Dilma

Em reunião da executiva nacional nesta terça-feira, a cúpula do PSB confirmou que o partido não terá candidato próprio nas eleições presidenciais, enterrando de vez as pretensões do deputado federal Ciro Gomes (CE) em entrar na disputa. Com essa decisão, o partido se aproxima ainda mais da base de apoio à pré-candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

BBC Brasil |

Em reunião da executiva nacional nesta terça-feira, a cúpula do PSB confirmou que o partido não terá candidato próprio nas eleições presidenciais, enterrando de vez as pretensões do deputado federal Ciro Gomes (CE) em entrar na disputa. Com essa decisão, o partido se aproxima ainda mais da base de apoio à pré-candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT). Segundo o presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a consulta feita aos 27 diretórios regionais e aos movimentos sociais foi o que "influenciou" na decisão de "vetar" a candidatura de Ciro Gomes. Questionado sobre o apoio a Dilma Rousseff nas eleições deste ano, Campos disse que esse é o "caminho natural", mas que a decisão será formalizada no dia 17 de maio. A reunião durou cerca de três horas e teve a participação de cerca de 30 integrantes do partido. O deputado Ciro Gomes preferiu não estar presente, segundo ele para não "constranger" a decisão de seus colegas. Na semana passada, ganhou fôlego a versão de que o PSB já teria decidido enterrar a possibilidade de uma candidatura própria, em prol de uma aliança com o PT. 'Demora' Os principais partidos com uma provável candidatura própria (PSDB, PT, PV e Psol) já apresentaram os nomes que pretendem lançar nas eleições deste ano. Já o PSB vinha adiando essa definição, dividido entre lançar-se sozinho na campanha - com Ciro Gomes - ou apoiar a candidata do governo, Dilma Rousseff. Para muitos analistas políticos, a indefinição acabou prejudicando Ciro Gomes nas pesquisas de intenção de voto. Considerando a média dos principais institutos, a preferência pelo deputado caiu de 17% em setembro para 8% em abril. Em um artigo publicado há duas semanas em seu site, Ciro criticou a falta de apoio de seu partido. "O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora", escreveu. O deputado federal também criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estaria, segundo ele, "navegando na maionese e se sentindo o Todo-Poderoso". Em entrevista ao iG na última sexta-feira, Ciro disse achar Dilma "melhor como pessoa", mas que Serra seria "mais preparado, mais capaz" para assumir a Presidência. Tempo de TV Dentro do PSB, um dos argumentos contrários a uma candidatura própria estaria no "pouco tempo" de TV a que o partido tem direito - de pouco mais de um minuto - o que seria insuficiente para sustentar a ideia. Ainda de acordo com essa avaliação, a saída para o PSB seria o fortalecimento da legenda nos governos estaduais e no Legislativo (Câmara e Senado), o que deixaria o partido com mais espaço na TV em disputas futuras. Segundo um deputado filiado ao PSB, o caminho "natural" é o apoio à Dilma Rousseff, já que o partido faz parte da base aliada ao governo Lula. Mas segundo essa mesma fonte, os partidos ainda vão "sentar para discutir" os detalhes de uma aliança e como será sua composição nos estados. Pesquisas A saída de Ciro Gomes do pleito deverá colocar a disputa à Presidência ainda mais perto de uma polarização entre Serra e Dilma. Não há consenso, porém, sobre o que acontecerá com os votos que até então vinham sendo previstos para Ciro. As últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha mostram que, em um cenário sem Ciro Gomes, Serra ganharia 4 pontos percentuais, Dilma, 2 a 3 pontos e Marina, 2 pontos - resultado que beneficia o tucano. Já o cientista político Alberto Carlos Almeida tem outra interpretação. Segundo ele, uma avaliação feita "ao longo do tempo" coloca a ex-ministra em posição de vantagem em um cenário sem Ciro Gomes. "Desde novembro, Ciro vem caindo nas pesquisas, enquanto Dilma vem subindo", diz. Segundo ele, o eleitor de Ciro está majoritariamente no Nordeste e se indentifica mais com o governo Lula. "O Serra é muito conhecido (no Nordeste) e eles mesmo assim não votam no Serra", diz o cientista político.

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