Protestos e greve voltam a paralisar a França

Passeatas contra o aumento a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos acontecem por todo o país

BBC Brasil |

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A França enfrenta nesta terça-feira mais uma greve contra a reforma da Previdência que desta vez corre o risco de afetar por tempo indeterminado alguns setores como o dos transportes e das refinarias de petróleo. Esta é a quarta greve contra a reforma a paralisar o país desde setembro.

Sindicatos desses setores já alertaram que poderão fazer paralisações que seriam renovadas diariamente por meio de votações dos trabalhadores. No caso dos transportes, em Paris, a greve já foi aprovada em assembleia sindical e deve se manter na quarta-feira.

AP
Com tochas nas mãos, trabalhadores participam de uma passeta em Marselha, no sul da França, contra aumento da idade mínima de aposentadoria

Nesta terça, 244 passeatas devem ocorrer em várias cidades do país contra o aumento da idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos, elemento central da reforma defendida pelo presidente Nicolas Sarkozy.

O governo francês afirmou que até o início desta tarde (horário local) as passeatas haviam reunido 500 mil manifestantes em várias cidades francesas, número superior ao dos protestos de 23 de setembro.

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O texto da reforma já foi aprovado pelos deputados e está sendo examinado atualmente pelo Senado, que deve concluir a votação no final desta semana.

"Essa é uma das últimas ocasiões para fazer o governo recuar", afirma François Chérèque, secretário-geral da confederação sindical CFDT.

Os senadores já aprovaram dois artigos polêmicos da reforma. O primeiro é o aumento progressivo da idade para se aposentar, que atingirá 62 anos em 2018, e o segundo prevê o aumento do limite de idade para ter direito à aposentadoria integral de 65 para 67 anos, no caso dos que não atingiram o tempo de contribuição exigido.

A greve afeta fortemente nesta terça-feira os transportes urbanos, aeroportos e portos em todo o país e também paralisa parcialmente escolas, correios, hospitais e os setores de energia e telecomunicações.

Segundo a direção da estatal ferroviária SNCF, 40,4% dos funcionários aderiram à greve nesta terça, pouco mais do que os 37% registrados na última paralisação, em 23 de setembro.

As seis refinarias do grupo petrolífero Total estão sendo afetadas pela greve. Os trabalhadores do setor já votaram na semana passada a favor de uma paralisação por tempo indeterminado na maioria das refinarias.

A eventual continuidade da mobilização nesse setor já preocupa as organizações patronais, que temem o risco de falta de combustível no país no curto prazo.

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Em Toulouse, franceses também protestam contra a reforma da previdência do governo do presidente Nicolas Sarkozy

Voos cancelados

No aeroporto de Orly, nos arredores de Paris, a previsão é de que metade dos voos seja cancelada nesta terça. A greve deve atingir 30% dos voos do aeroporto Charles de Gaulle, mas a Air France informou que os voos de longa distância deverão ser mantidos.

Até mesmo os funcionários da Torre Eiffel, em Paris, decidiram fazer greve nesta terça. Os turistas tiveram de ser retirados do local.

O endurecimento dos protestos contra a reforma da Previdência, por meio de greves por tempo ilimitado, divide, no entanto, os sindicatos franceses. Alguns estimam que isso poderá trazer riscos para os trabalhadores.

Segundo uma pesquisa Ipsos para a rádio Europe 1, divulgada no domingo, 31% dos franceses afirmam ser a favor de uma greve de longa duração, mas quase a metade espera que o movimento termine rapidamente.

O conflito social também corre o risco de se radicalizar nesta semana, com o início da participação dos estudantes nos protestos, o que é considerado um fator chave para pressionar o governo.

Nesta terça, quase 300 escolas secundárias se juntaram aos protestos, segundo o Ministério do Interior, sendo que 90 delas estão totalmente bloqueadas.

Esse número ainda é, no entanto, pequeno, já que existem 4,3 mil escolas secundárias na França, mas a União Nacional dos Liceus (UNL) prevê que ele deverá aumentar durante o dia. Os sindicatos franceses preveem novos protestos no próximo sábado.

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