Proposta de novo congelamento de assentamentos divide governo israelense

Por suspensão de construção por 90 dias, EUA ofereceram vetar na ONU qualquer resolução contra Israel e acordos militares

BBC Brasil |

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Um acordo entre o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, envolvendo um novo congelamento dos assentamentos na Cisjordânia em troca de um pacote de benefícios dos Estados Unidos divide o gabinete israelense.

De acordo com levantamentos da imprensa local, sete dos 15 ministros do gabinete de Segurança de Israel apoiariam o novo acordo com o governo americano, que inclui o prolongamento, por 90 dias, do congelamento das construções na Cisjordânia. Seis ministros votariam contra o acordo, e dois membros do gabinete, que são ministros do partido ultraortodoxo Shas, se absteriam.

AFP
Trator de construção de Israel passa por residências no assentamento israelense de Kiryat Arbaa, perto da cidade palestina de Hebron, na Cisjordânia
O premiê Netanyahu apresentou as linhas gerais do acordo ao gabinete, porém afirmou que alguns detalhes "ainda devem ser acertados" com o governo americano. A Autoridade Palestina já declarou que não vai aceitar o acordo, que não suspende as construções israelenses em Jerusalém Oriental.

Veto na ONU

O novo congelamento divide inclusive o Likud, partido do premiê Netanyahu. O ministro do Likud Dan Meridor, responsável por assuntos de Inteligência e Energia Atômica, manifestou-se a favor do acordo com o governo americano. "Trata-se de uma questão de responsabilidade nacional", disse Meridor à rádio estatal de Israel, "o acordo nos traz muitas vantagens importantes".

Entre as "vantagens" Meridor mencionou o fato de que, em troca do congelamento temporário, o governo americano se dispõe a acionar seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, por um período de um ano, contra qualquer resolução desfavorável a Israel.

"O acordo também envolve uma melhora significativa da capacidade da nossa Força Aérea", disse Meridor, referindo-se à proposta americana de doar 20 aviões de caça F-35, no valor de US$ 3 bilhões, para Israel. Meridor também mencionou que os Estados Unidos concordariam que o novo congelamento não incluísse a construção em Jerusalém Oriental.

Resistência

Já outros ministros do Likud, também membros do gabinete de Segurança, são contra o prolongamento do congelamento. O vice-primeiro ministro, Silvan Shalom, declarou que o significado seria "abrir mão da maioria do território da Cisjordânia sem um acordo final (com os palestinos)".

Segundo o acordo que se configura entre os governos de Israel e dos Estados Unidos, durante os três meses do novo congelamento as negociações entre israelenses e palestinos deverão se concentrar no tema das fronteiras futuras entre Israel e o Estado Palestino.

"No momento em que iniciarmos a negociação sobre as fronteiras, começaremos a dar sem receber nada em troca", afirmou Moshe Yalon, outro ministro do Likud, que chamou o acordo de "cilada".

Líderes dos colonos israelenses na Cisjordânia ameaçam "derrubar Netanyahu" se o premiê anunciar um novo congelamento. De acordo com Gershon Messica, líder dos colonos no norte da Cisjordânia, "a rendição vergonhosa de Netanyahu (à pressão americana) é um golpe fatal para o projeto sionista e coloca em risco a existência do Estado... o campo nacionalista vai derrubar seu governo".

Segundo um relatório da ONG Paz Agora, desde que expirou o prazo do congelamento anterior (no dia 26 de setembro) até hoje, os colonos "compensaram" o atraso causado pela moratória de 10 meses e nesses 45 dias já iniciaram a construção de cerca de 1,6 mil novas moradias na Cisjordânia.

Se o acordo com o governo americano se concretizar, o novo congelamento significará a suspensão de todas as construções iniciadas nesse período e deverá causar uma onda de protestos por parte dos colonos, que prometem greves, manifestações e até greve de fome.

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