Produção de ópio cairá pela metade no Afeganistão, diz ONU

Segundo relatório de escritório das Nações Unidas, redução em 2010 se deve a uma praga na lavoura de papoulas

BBC Brasil |

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Um relatório do escritório da ONU para Drogas e Crime, divulgado nesta quinta-feira, afirma que a produção de ópio no Afeganistão, o maior produtor mundial, deve cair quase pela metade até o fim do ano, em comparação com 2009.

O documento, intitulado Pesquisa sobre o Ópio Afegão 2010, diz que a redução se deve principalmente a uma praga na lavoura de papoulas. Segundo o texto, a produção projetada para 2010 atingirá 3,6 mil toneladas - o nível mais baixo desde 2003, representando uma queda de 48% em comparação às 6,9 mil toneladas produzidas em 2009.

AFP
Produção de papoula na província de Helmand, no Afeganistão
"Esta é uma boa notícia, mas não há espaço para o falso otimismo; o mercado poderá voltar a ser lucrativo para plantadores de papoulas para produção de ópio, então temos que monitorar a situação de perto", disse Yury Fedotov, diretor do escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime.

O Afeganistão é responsável pela produção de 90% de todo o ópio produzido no mundo. O ópio é o principal ingrediente na fabricação de heroína.

No entanto, a organização afirma que a produção de ópio não deve permanecer baixa e, o aumento do preço do produto deve estimular os fazendeiros afegãos a cultivar mais papoulas.

Trigo e ópio

O relatório da ONU afirmou que, depois de quedas registradas nos últimos cinco anos (a partir de 2005), o preço do ópio está aumentando novamente. Houve um aumento de 164%, de US$ 64 o quilo em 2009, para US$ 169 o quilo em 2010.

Este aumento no preço significa que, enquanto menos ópio estava sendo produzido, o valor da produção afegã subiu em 38% para US$ 604 milhões no total, seis vezes o valor da lavoura de trigo do Afeganistão, e representa 5,5% do PIB do Afeganistão.

A agência da ONU alerta que este aumento no preço combinado com uma queda no preço do trigo, pode fazer com que muitos fazendeiros afegãos voltem a cultivar papoulas para a produção do ópio.

A área total usada para o cultivo da papoula no país continua a mesma, apesar dos programas de erradicação implantados pelo governo. Por isso, Yury Fedotov pediu uma estratégia ampla para conter a ameaça do aumento da produção de ópio.

Helmand

A maior parte das lavouras de papoulas para a produção de ópio estão nas regiões sul e oeste, segundo o relatório da ONU. Apenas a província de Helmand, foco de violência, é responsável por mais da metade do total da produção de ópio do país.

"Essas regiões são dominadas pela insurgência e as redes de crime organizado", afirmou Fedotov. "Isto destaca a ligação entre o cultivo de papoulas para produção de ópio e a insegurança no Afeganistão".

No entanto, o governador de Helmand, Gulab Mangal, elogiou a queda de 7% no cultivo das papoulas na província, a segunda redução ano a ano na região. "Estamos providenciando um ambiente mais seguro e estável para os moradores, garantindo um futuro mais seguro e próspero, livre do problema das drogas", disse o governador.

Lindy Cameron, chefe da Equipe de Reconstrução das Províncias, liderada pela Grã-Bretanha, em Helmand, afirmou que este é um sinal de progresso entre as forças afegãs e internacionais. "A redução do cultivo da papoula bloqueia uma importante fonte de financiamento para a insurgência, o que ajuda o governo afegão a garantir a segurança e segurança para o povo de Helmand", afirmou Cameron.

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