Primeiro contato telefônico é feito com mineiros no Chile

Homens presos há 19 dias em mina estão "bem de saúde", mas ainda não sabem que operações de resgate podem levar 4 meses

BBC Brasil |

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O ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne, fez o primeiro contato por telefone com os 33 mineiros soterrados há 19 dias. Os trabalhadores estão "bem de saúde", mas ainda não sabem que as operações para tentar retirá-los podem levar até quatro meses.

Eles relataram que estão sobrevivendo com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas. Os trabalhadores soterrados deverão receber água, alimentos e cartas e bilhetes escritos por suas famílias, que foram orientadas a "manter um tom otimista".


Andres Sougarret, chefe da operação que prevê a abertura de um túnel para a retirada dos trabalhadores, afirmou que o período poderá ser necessário para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens.

Uma perfuradora especial está sendo enviada para a mina localizada perto da cidade de Copiapó. Mas, de acordo com o ministro de Mineração, Laurence Golborne, mesmo se equipamentos ainda mais especializados, de fora do Chile, fossem enviados para o local, a operação de resgate ainda duraria pelo menos dois meses.

No momento, engenheiros estão tentando abrir mais linhas de comunicação com os 33 mineiros. Eles estão em um abrigo a 700 metros de profundidade e cerca de 25 metros quadrados de tamanho.

Os 33 homens sobreviveram os 17 dias graças a tanques de água que estavam no abrigo e canais de ventilação.

Nesta segunda-feira começaram a ser enviadas as primeiras remessas de comida e água aos trabalhadores.

Pombas

Os engenheiros trabalharam durante a noite de domingo para reforçar o buraco de 15 centímetros de diâmetro, numa tentativa de diminuir o risco de queda de rochas e facilitar o envio de materiais aos mineiros em pequenas cápsulas de plástico azul, apelidadas de "palomas", ou pombas.

A prioridade é enviar cápsulas com água e comida, em forma de solução altamente calórica de glicose, além de medicamentos para diminuir a acidez estomacal que atinge os trabalhadores presos. Também foram enviados questionários para determinar o estado de saúde dos mineiros.

Uma das maiores preocupações agora é com a saúde mental dos confinados e uma equipe de médicos e psicólogos chegou ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais dos trabalhadores durante o longo período de espera pelo resgate.

"Precisamos estabelecer com urgência qual o estado psicológico em que eles se encontram. Eles precisam entender o que sabemos aqui na superfície, que levará várias semanas até eles verem a luz do sol", disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich.

"Deve-se estabelecer uma liderança (entre eles) e uma rede de apoio para prepará-los para o que está pela frente, o que não é pouco", completou.

Bilhete

As vítimas ainda não haviam feito contato com as equipes de resgate e havia pouca esperança de que os trabalhadores pudessem estar vivos até este domingo.

O anúncio foi feito depois de uma sonda perfuradora, inserida na mina por equipes de resgate, ter voltado à superfície com um bilhete onde os mineiros afirmavam estar bem.

"Estamos bem, em um refúgio, os 33", diz o bilhete.

Pouco depois, uma câmera que foi enviada com uma sonda para o interior da mina captou imagens de nove mineiros, aparentemente em boas condições de saúde.

O acidente ocorreu no último dia 5 de agosto, em uma mina localizada perto da cidade de Copiapó. Os mineiros trabalhavam a uma profundidade de cerca de 700 metros, quando uma rocha que estava acima deles desabou.

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