Primeira de 12 vítimas de atirador foi irmão gêmeo

Suspeito teria disparado tiros em 30 lugares diferentes e a polícia tenta descobrir o que motivou o ataque

BBC Brasil |

A polícia britânica está investigando a tese de que um taxista que atirou e matou 12 pessoas na região de Cumbria , no norte da Inglaterra, na quarta-feira tenha agido motivado por uma disputa familiar.

Derrick Bird, 52, saiu de sua casa no vilarejo de Rowrah e percorreu as cidades de Whitehaven, Seascale e Egremont em seu Citroen Picasso, escolhendo suas vítimas aparentemente aleatoriamente, até tirar sua própria vida com um tiro.

Uma das hipóteses é a de que uma disputa familiar envolvendo uma herança esteja entre as razões da carnificina. A primeira vítima dos disparos de Derrick foi seu irmão gêmeo, David. O advogado da família, Kevin Commons, também foi morto.

AP
Policiais isolam área ao redor de corpo de uma das vítimas

Mais de cem policiais estão envolvidos nas investigações, que envolvem a coleta de informações em 30 cenas do crime diferentes.

Especula-se também que Bird tenha se desentendido com outros colegas taxistas por questões de trabalho. Após matar o irmão e o advogado, Bird dirigiu quase 12 quilômetros até Whitehaven, onde atirou e matou seu colega de profissão Darren Rewcastle.

Além de 12 mortos, onze foram feridos pelos disparos. Três estão em estado grave.

Entre as vítimas identificadas pela polícia, estão um fazendeiro e pai de duas crianças que estava aparando uma cerca viva, um ciclista e um aposentado que passeava na rua com seu cachorro.

As armas apreendidas pela polícia, um revólver e um rifle de calibre 22 equipado com uma mira telescópica, estão sendo analisados pela polícia.

Crimes deste tipo são raros na Inglaterra, onde o porte de armas é proibido, mas a polícia de Cumbria disse que o taxista tinha permissão para carregar armamentos. "Ele tinha um certificado de armas de fogo e a licença para portar armas, mas ainda não sabemos se as armas que encontramos são as que ele havia registrado", disse o porta-voz da polícia, Stuart Hyde.

Rastro mortal

Até o momento em que tirou sua própria vida, em um bosque próximo da cidade de Boot, Derrick Bird dirigiu seu Citroen por cerca de 40 quilômetros.

Um dos primeiros alvejados, Don Reed, que por sorte conseguiu escapar, contou à BBC como o atirador tirou a vida de seu colega de profissão Darren Rewcastle.

"Vi quando o táxi de Derrick Bird parou no final da fila de táxis. Logo ele gritou com Darren Rewcastle, foi para o meio da rua e simplesmente abriu fogo com um rifle com uma mira telescópica", disse a testemunha.

"Depois ele dirigiu até onde eu estava e apontou a arma para mim. Eu me abaixei e o tiro pegou nas minhas costas. Me joguei no chão e rastejei ao longo da fila de carros."

Don disse que queria tentar fazer os primeiros socorros em Darren Rewcastle. "Mas quando vi Darren, ele já era."

Bird teria caminhado em sua direção com a arma, mas mudou de rota quando alguém gritou. O taxista entrou de volta em seu carro, acertando outro homem no rosto no momento em que saía.

Popular

O taxista foi descrito por pessoas que o conheciam na comunidade como um tipo "quieto", "popular" e "divertido". Testemunhas disseram que ele era divorciado, tinha dois filhos e era conhecido pelo simpático apelido de "Birdy".

O incidente foi o pior na Grã-Bretanha desde março de 1996, quando um homem de 44 anos atirou contra crianças em uma escola primária na cidade de Dunblane, na Escócia. Dezesseis crianças entre cinco e seis anos de idade, além de uma professora, foram mortas antes de o atirador, Thomas Hamilton, tirar sua própria vida.

O episódio levou a um movimento pela proibição do porte de armas, introduzida na Inglaterra, Escócia e País de Gales após a eleição do governo trabalhista de Tony Blair, em 1997.

Na Inglaterra, um fanático por armas, Michael Ryan, matou 16 pessoas na cidade de Hungerford, no condado de Berkshire, em 1987.

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