Presos na Líbia dizem estar sofrendo tortura de novo regime

Ex-aliados de Kadafi em Misrata levados a prisões relatam que estariam sendo submetidos a violência

BBC |

Ex-aliados do coronel líbio Muamar Kadafi, morto no ano passado, disseram à BBC que estão sendo torturados no país. Detentos em um presídio na cidade de Misrata relataram terem sido espancados, chicoteados e recebido choques elétricos.

O líder do conselho militar de Misrata negou todas as acusações. Já a comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu que o governo de transição da Líbia assuma o controle de todas as prisões do país.

A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras anunciou esta semana que suspendeu seus trabalhos em uma das prisões de Misrata, devido ao preocupante aumento nos casos de tortura. As acusações foram feitas exatamente cem dias depois da violenta morte de Kadafi, que governou a Líbia por mais de quatro décadas.

'Quinta coluna' de Kadafi

Os detentos em Misrata disseram ao repórter da BBC na Líbia Gabriel Gatehouse que não foram torturados dentro do presídio. "Eu fui levado para ser interrogado em um local usado pelo Exército Nacional", disse um dos presos, que pediu para que seu nome não seja revelado. "Minha perna já estava machucada quando me levaram. Enquanto eles me interrogavam, eles seguiam batendo na minha perna, e ela inchou ainda mais", disse o homem.

Outros prisioneiros disseram que as agressões aconteceram antes de eles chegarem ao presídio.
Diferentes entidades de direitos humanos disseram que incidentes deste tipo acontecem por toda a Líbia.
"A tortura está sendo feita por entidades militares e de segurança reconhecidas oficialmente, assim como por uma variedade de milícias armadas operando fora de qualquer padrão legal", disse na sexta-feira um porta-voz da Anistia Internacional, baseada em Londres.

Os diretores do centro de detenção de Misrata reconheceram à BBC que sabiam de casos em que presos estavam sendo retirados do local para serem torturados, mas que eles não tinham poderes para interferir.

A comissária da ONU manifestou preocupação especial com prisioneiros de origem da África subsaariana, muitos deles considerados mercenários ligados ao antigo regime de Kaadafi.

O líder do conselho militar de Misrata, Ibrahim Beitelmal, nega as acusações. Ele atacou os críticos. "Eu acredito que as pessoas trabalhando sob a orientação de organizações direitos humanos ou médicos sem fronteiras são a quinta coluna de Khadafi. Pode ter havido alguns casos de vingança, mas isso não significa que as ordens para torturar prisioneiros vieram do meu escritório."

A ONU estima que 8,5 mil pessoas – a maioria acusada de ligações com o regime de Kaadafi – estão detidas em prisões na Líbia.

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