Presidente iraquiano se recusa a assinar execução de chanceler de Saddam Hussein

Talabani disse que nunca assinaria a ordem por causa da idade de Tareq Aziz, 74 anos, e pelo fato de ele ser um cristão

BBC Brasil |

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O presidente do Iraque, Jalal Talabani, recusou-se a assinar a ordem de execução de um dos aliados mais próximos do governo de Saddam Hussein (1979-2003), o ex-chanceler e ex-vice premiê Tareq Aziz. Talabani disse ao canal de televisão France 24 que nunca assinaria a ordem por causa da idade de Aziz, 74 anos, e pelo fato de ele ser um cristão.

O presidente iraquiano é conhecido por ser contra a pena de morte, mas ainda não se sabe se ele terá poder para suspender a execução. De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Gabriel Gatehouse, em 2006 Talabani se recusou a assinar a ordem de execução de Saddam.

Mas o documento foi assinado por um dos vice-presidentes iraquianos e Saddam foi executado. Dessa vez, de acordo com Gatehouse, a situação é diferente, porque o Iraque está no meio do processo de formação de governo.

Talabani foi reeleito para a presidência iraquiana na semana passada e ainda não tem vice-presidentes formais que poderiam autorizar a pena de morte em seu lugar. E a Constituição do Iraque determina que qualquer ordem de execução precisa ser ratificada pela Presidência.

Condenação

A União Europeia, o Vaticano e a Rússia também são contra a execução de Aziz e pediram que o governo iraquiano não execute o ex-político, alegando que Aziz já está em idade avançada e tem problemas de saúde. Aziz, que por muitos anos representou o governo de Saddam no exterior, foi condenado à morte em outubro pela Suprema Corte do Iraque .

Ele foi sentenciado por crimes relacionados à perseguição de partidos xiitas nos anos 1980 e 1990. O ex-chanceler iraquiano se rendeu aos Estados Unidos após a invasão do Iraque, em 2003. Em 2009, foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato de dezenas de comerciantes iraquianos durante a Guerra do Golfo (1991).

Cinco meses depois, recebeu nova condenação, de sete anos, por seu papel no deslocamento forçado da população curda do norte do Iraque. O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir relata que há um ódio visceral dentro do atual governo pelos apoiadores do antigo regime, que reprimia a maioria xiita do país. Mas muitos não veem Aziz como culpado - como cristão, ele nunca teve tanto poder quanto o clã sunita ao redor de Saddam -, e é possível que se forme um lobby para evitar sua execução.

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