Presidente eleito do Chile quer mudar sistema de alerta de emergências

O presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, sinalizou nesta sexta-feira que deve submeter a uma mudanças o sistema de alertas de terremotos e maremotos do país, após tremores e tsunamis que teriam matado cerca de 800 pessoas desde o sábado passado.

BBC Brasil |

AP
Chilenos vasculham casa destruída em Caleta Tumba

Chilenos vasculham casa destruída em Caleta Tumba

"Após os acontecimentos desta semana, anunciaremos a mudança de todo nosso sistema de alerta precoce. Partindo também pela melhor coordenação, que contará com as Forças Armadas, que tem experiência neste setor e a profunda reavaliação do Onemi (Escritório Nacional de Emergência, na sigla em espanhol)", disse Piñera, que toma posse na próxima quinta-feira.

Segundo ele, o seu governo será o da emergência e da reconstrução do país, após o desastre. "Nosso governo não será o governo do terremoto, mas da reconstrução", afirmou.

As declarações foram feitas no Palácio presidencial La Moneda, logo após reunião de Piñera com a presidente Michelle Bachelet e seus ministros. Bachelet revelou que eles decidiram fazer uma transmissão de governo " austera e tranquila ", devido a "catástrofe" que afetou o país.

"O que importa agora é a união. As diferenças políticas ficam em segundo ou terceiro plano. Devemos estar unidos diante do imenso desafio de reconstruir o país", disse.

Segundo ela, interessa às diferentes linhas políticas que o "mundo inteiro se dê conta que Chile é um país democrático e sólido".

Novo terremoto

Também nesta sexta-feira, uma das áreas mais afetadas pelos tremores no Chile enfrentou mais um forte terremoto secundário , de magnitude 6,6, segundo agência geológica americana (USGS, na sigla em inglês).

Essa foi uma das mais fortes réplicas registradas desde o terremoto de sábado, de magnitude 8,8, que gerou tsunamis e grande destruição.

O tremor desta sexta-feira atingiu novamente a cidade de Concepción, com o epicentro no mar, 30 km ao noroeste da cidade e a 33 km de profundidade.

Logo depois desta nova réplica, o Serviço de Alerta de Tsunamis do Pacífico descartou o risco de tsunami, o que foi ratificado pela Marinha chilena.

Desde o grande tremor do último sábado, foram registradas várias réplicas e uma delas de 6,9 de magnitude também ocorreu nas águas em frente a Concepción. Outros tremores foram percebidos, nesta sexta-feira, em Constituición, outra área devastada.

Desencontro de informações

O novo tremor ocorre num momento de fortes questionamentos no país sobre os desencontros de informações e as ações realizadas pelos organismos responsáveis por alertar a população para situações de emergência, principalmente o Onemi.

Primeiro, o comando da Marinha disse ter informado duas vezes o organismo sobre alertas de tsunamis e que o organismo não levou o alerta adiante. Por outro lado, a Marinha também não pediu à presidente Michelle Bachelet que levasse a medida de alerta adiante.

Novo desencontro de informações surgiu nesta sexta-feira. Desta vez, existiriam diferenças entre os números do Exército e o Onemi em relação ao total de vítimas fatais na região de Maule, a mais atingida pelos tsunamis e onde estaria o maior número de mortos.

Numa das localidades desta região teriam contabilizado como mortos pessoas ainda desaparecidas. Para o Exército, em vez de 587 seriam 316 falecidos na área.

Com isso passou-se a duvidar, na imprensa local, do total de 802 mortos informados pelo Onemi e pelo governo. Mas existem corpos não identificados. "Vamos esperar e ver tudo com calma", disse a presidente Michelle Bachelet.

Em meio à polêmica, a Marinha chilena destituiu nesta sexta-feira o comandante do Serviço Hidrográfico e Oceânico, capitão Mariano Rojas Bustos, considerado responsável por não ter sido emitido um alerta de tsunami após o tremor de magnitude 8,8.

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