Presidente do Sudão diz que manterá tropas em cidade petrolífera

Militares e tanques de Omar al-Bashir tomaram Abyei no fim de semana e disputam região com soldados do sul

BBC Brasil |

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O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, disse nesta terça-feira que não vai retirar suas tropas da cidade de Abyei, que é disputada entre o norte e sul do país.

As tropas do norte, de Bashir, tomaram a cidade no fim de semana, em meio a confrontos no local.

O presidente diz que a área pertence ao Sudão do Norte e que responderá qualquer “provocação” feita pelas tropas do Sudão do Sul, que deve ganhar independência e se tornar um Estado próprio em julho. Observadores temem que a disputa por Abyei sirva de estopim para uma nova guerra entre norte e sul.

As tropas de Bashir ocuparam a cidade depois de terem sofrido uma emboscada – atribuída ao Exército do sul – em que 22 pessoas morreram.

Disputas

Os dois lados lutaram durante décadas antes de concordarem com a divisão de poder no Sudão e com um referendo, cujo resultado levou ao atual processo de independência do sul do país.

Mas o status de Abyei, região rica em petróleo, ficou em suspenso. Um referendo para decidir o destino da cidade era previsto para janeiro, mas foi adiado indefinidamente.

Agências humanitárias calculam que cerca de 20 mil pessoas tenham abandonado a cidade nos últimos dias, por conta dos distúrbios. A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, disse ter recebido relatórios indicando que as tropas do norte estão bombardeando áreas civis da cidade.

E os Estados Unidos advertiram que o prolongamento no conflito na cidade pode colocar em perigo a proposta de perdão da dívida sudanesa, em um acordo que envolve bilhões de dólares. O enviado dos EUA ao Sudão, Princeton Lyman, disse que, na atual situação, Washington não deve retirar o Sudão da lista de Estados patrocinadores de terrorismo – medida que abriria caminho para o aumento do comércio internacional sudanês.

Arte/ iG
Região de Abyei é ponto de disputa entre o norte e o sul, que virá a ser um outro país em julho

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