Presidente da China nega que país busque corrida armamentista

Em visita ao Congresso americano, onde ouviu críticas, Hu Jintao disse que país não terá 'política expansionista'

BBC Brasil |

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O presidente da China, Hu Jintao, disse nesta quinta-feira em Washington, no terceiro dia de sua visita aos Estados Unidos, que seu país não tem interesse em dominar militarmente outras nações nem adota uma “política expansionista”.

"Nós não nos engajamos em corridas armamentistas nem representamos uma ameaça militar para nenhum país", disse Hu, ao discursar em um encontro de líderes empresariais chineses e americanos, em Washington. "A China nunca irá buscar a hegemonia nem perseguir uma política expansionista."

AP
Ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger e presidente chinês, Hu Jintao, nesta quinta-feira em Washington
Hu disse ainda que as relações entre os Estados Unidos e a China historicamente gozam de um crescimento constante e suave quando os dois países levam em conta os interesses de ambos, e pediu maior cooperação nas áreas de economia e segurança.

Congresso

O presidente chinês também se reuniu nesta quinta-feira com líderes republicanos e democratas no Congresso americano, onde ouviu críticas e preocupações dos parlamentares sobre uma série de questões.

Hu manteve encontros separados com o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, e com o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid.

Em um comunicado após o encontro, Boehner disse que discutiu com Hu a necessidade de a China adotar mais medidas de proteção à propriedade intelectual e de o país avançar na questão dos direitos humanos.

A questão do "comportamento agressivo" da Coreia do Norte também foi discutida, segundo Boehner.

Uma das principais críticas dos congressistas americanos em relação à China se refere à questão cambial. Os Estados Unidos acusam a China de manter a sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada, e assim obter vantagens competitivas para suas exportações.

Antes mesmo da chegada de Hu aos Estados Unidos, um grupo de 84 congressistas enviou uma carta a Obama pedindo que alertasse o presidente chinês de que a paciência dos americanos está "chegando ao limite" nesse tema.

Jantar

A recepção fria no Congresso contrastou com a pompa empregada pelo governo americano nessa visita, considerada a mais importante de um líder chinês aos Estados Unidos em mais de 30 anos.

Na noite de quarta-feira, tanto Boehner quanto Reid recusaram o convite para o jantar de Estado oferecido em homenagem a Hu na Casa Branca. Reid chegou a chamar o presidente chinês de "ditador" em uma entrevista a uma emissora de televisão.

Na quarta-feira, em uma entrevista coletiva ao lado do presidente Barack Obama, Hu respondeu a uma pergunta sobre a situação dos direitos humanos na China e afirmou que o país ainda tem muito a fazer nesse tema. No entanto, a resposta não foi transmitida pela TV chinesa. Hu disse que a China é um país em desenvolvimento, com uma enorme população e em um estágio crucial de reformas, que ainda enfrenta muitos desafios sociais e econômicos.

Segundo analistas, é provável que ao mencionar os direitos humanos o líder chinês tenha se referido à necessidade de melhorar o padrão de vida de milhões de chineses, e não a uma possível abertura em relação a liberdade de expressão, de religião e outros temas.

O próprio Obama afirmou que as diferenças em relação à questão dos direitos humanos eram algumas vezes "motivo de tensão" entre Estados Unidos e China. "Eu acredito que parte da justiça e parte dos direitos humanos está no fato de as pessoas conseguirem ganhar seu sustento e terem o suficiente para comer, e terem moradia e eletricidade", disse Obama na coletiva conjunta.

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