Prêmio de liberdade de expressão para Chávez gera polêmica na Argentina

Imprensa critica decisão de reitora de universidade de La Plata de conceder prêmio a líder venezuelano, acusado de perseguir mídia

BBC Brasil |

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, receberá nesta terça-feira, na cidade argentina de La Plata (leste do país), um prêmio por sua "contribuição à liberdade de expressão", "à comunicação popular e à democracia". O anúncio da entrega do prêmio causou polêmica na Argentina.

AFP
Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Cristina Kirchner, posam para foto durante encontro no complexo de indústria naval de Tandanor, em Buenos Aires
Autora da ideia, a reitora da Faculdade de Jornalismo da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), Florência Saintout, disse que Chávez merece o prêmio por sua "contribuição à liberdade de expressão na América Latina". Saintout afirmou à emissora de televisão TN (Todo Noticias) que a criação do canal de televisão Telesur foi decisiva para "essa nova comunicação dos povos".

Numa entrevista à rádio Diez, ela também justificou a premiação pelo que ocorre na Venezuela. "Acreditamos que exista liberdade de imprensa na Venezuela e entregaremos o prêmio a um presidente pelo que faz pela comunicação popular", afirmou.

Ao desembarcar, na noite de segunda-feira em Buenos Aires, Chávez disse que se sente "honrado" com o prêmio, "apesar de ter lido (na imprensa argentina) que o 'ditador' Chávez não merece a homenagem". Nós não fechamos um meio de comunicação sequer na Venezuela. Temos plena liberdade de expressão", afirmou.

'Engano'

O presidente venezuelano já foi alvo de diversas críticas da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), que, em 2010, citou Chávez entre os governantes que, na visão do órgão, usam os poderes do governo para restringir a liberdade de imprensa.

A presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da Câmara dos Deputados, Silvana Giudici, foi uma das autoridades da Argentina que criticaram a premiação. "Um presidente que pede rede nacional e impede a programação aberta, às vezes durante sete horas seguidas, não pode receber um prêmio criado para reconhecer a trajetória jornalística e o respeito às liberdades", disse Giudici, criticando o cancelamento de concessões de rádio e TV pelo presidente venezuelano.

Em seu editorial, o La Nación afirmou nesta terça-feira que é "um engano" que o presidente venezuelano receba o prêmio "por sua contribuição à comunicação popular", "especialmente depois de ter patrocinado o fechamento da Rádio Caracas Televisão (RCTV) e várias emissoras de rádio, assim como pressionado a emissora de televisão (privada e de oposição) Globovisión".

O jornal Ámbito Financiero disse também que a premiação é um ato "Insólito", dada a forma como Chávez "administra a imprensa". Segundo os organizadores, pelo menos 5 mil pessoas deverão assistir à entrega da homenagem na cidade de La Plata, a cerca de uma hora de distância da capital argentina, Buenos Aires.

Chávez é o segundo presidente a receber o prêmio, chamado Rodolfo Walsh - nome de um jornalista desaparecido na ditadura argentina (1976-1983). Antes, em 2009, a honraria foi entregue ao presidente da Bolívia, Evo Morales.

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