Premiê da Austrália conquista independentes e se mantém no governo

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, conquistou o apoio de dois parlamentares independentes no Congresso, o que garantirá a sua permanência à frente do governo

BBC Brasil |

selo

Os parlamentares Tony Windsor e Rob Okaeshott anunciaram nesta terça-feira que apoiarão o governo de Julia Gillard, do Partido Trabalhista.

O anúncio colocou fim a um impasse político que já durava mais de duas semanas na Austrália. Outro parlamentar independente, Bob Katter, decidiu apoiar o líder da oposição, Tony Abbott.

Com isso, Julia Gillard governará com a menor margem possível no Parlamento. Esta é a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido não consegue obter a maioria necessária para governar na Austrália.

Reality show

"Os eventos das últimas duas semanas nos mostram de forma clara que nossa democracia é muito, muito forte", afirmou a primeira-ministra nesta terça-feira em Canberra. "Após o acordo de hoje, o Partido Trabalhista está preparado para anunciar um governo estável, eficiente e seguro para os próximos três anos."

O líder da oposição disse que respeitará o governo de coalizão, mesmo depois que seu partido conquistou uma vaga a mais no Parlamento do que os trabalhistas, nas eleições gerais que foram realizadas no dia 21 de agosto. "Nossa coalizão conquistou mais votos e mais vagas do que nossos adversários, mas infelizmente nós não tivemos oportunidade de formar um governo", disse Abbott.

"É óbvio que estou decepcionado com isso, mas este é o nosso sistema." As negociações entre o partido do governo e os três parlamentares independentes - apelidados de "os três amigos" pela imprensa australiana - duraram mais de duas semanas.

O correspondente da BBC em Sydney Nick Bryant disse que por muitas vezes as negociações pareciam uma novela ou um reality show, com extensa cobertura em tempo real pela televisão australiana. As últimas horas da negociação foram dramáticas.

Pouco após o meio-dia, o parlamentar Bob Katter convocou a imprensa e disse que apoiaria a coalizão de oposição, liderada pelos liberais. Ele disse que estava descontente com o tratamento dado por Julia Gillard ao ex-premiê Kevin Rudd.

Gillard era vice de Rudd, e o derrotou na disputa pela liderança do partido. Uma hora depois foi a vez de Tony Windsor falar com jornalistas. Em um pronunciamento, ele disse que as políticas trabalhistas na área ambiental e de comunicações foram cruciais na sua decisão.

Com isso, todas as atenções se voltaram para Rob Okaeshott, que definiu seu apoio à premiê australiana em um discurso de 20 minutos. Com o apoio no Parlamento, Gillard tentará agora implementar sua agenda política, que inclui um imposto de 30% sobre o lucro de mineradoras.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG