Políticos britânicos envolvidos em escândalos não se reelegem

Alguns dos políticos britânicos envolvidos no escândalo de reembolso de despesas de gabinete não conseguiram se reeleger nas eleições realizadas nesta quinta-feira. Grande parte dos políticos envolvidos nos escândalos sequer concorreu ao cargo.

BBC Brasil |

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Dos 650 parlamentares da Casa dos Comuns, 149 anunciaram que não concorreriam à reeleição, muitos deles envolvidos nos escândalos de reembolso. Entre os que buscaram a reeleição, a parlamentar trabalhista Jacqui Smith, que foi a primeira mulher a se tornar ministra do Interior na Grã-Bretanha, perdeu a vaga que tinha no Legislativo para a candidata conservadora Karen Lumley no distrito de Redditch. Jacqui Smith representava o distrito no Parlamento desde 1997. No ano passado, ela pediu reembolso por gastos com filmes pornográficos comprados pelo seu marido. Ela também declarou a casa da sua irmã em Londres como sua residência oficial, usando dinheiro público para pagar o aluguel, apesar de não morar lá. Partidos derrotados No distrito de Wells, a liberal-democrata Tessa Munt derrotou o parlamentar conservador David Heathcoat-Amory, que estava no cargo desde 1983. No escândalo de reembolsos, Heathcoat-Amory teve de devolver 30 mil libras (mais de R$ 80 mil) aos cofres públicos. "O escândalo de reembolsos prejudicou todos os que estavam no cargo, e talvez a mim, em particular. Eu tive de enfrentar uma campanha negativa, mas é assim que a política funciona", disse Heathcoat-Amory, em seu discurso após a derrota nas urnas. O parlamentar trabalhista Charles Clarke, que também já foi ministro do Interior, perdeu sua vaga na Câmara dos Comuns para o liberal-democrata Simon Wright em Norwich South. No ano passado, uma investigação determinou que Clarke deveria devolver 750 libras (cerca de R$ 2 mil), usadas indevidamente para pagar sua hipoteca. "Eu serei aberto e franco sobre os meus gastos", disse o liberal-democrata Simon Wright em seu discurso de vitória nesta sexta-feira. Em alguns distritos em que parlamentares envolvidos nos escândalos não concorreram, quem sofreu derrota foram os seus partidos. Os trabalhistas perderam a eleição no distrito de Burnley, onde eram representados pela ex-ministra Kitty Ussher. No ano passado, foi revelado que Ussher pediu reembolso de 20 mil libras (cerca de R$ 54 mil) com gastos para obras na sua casa. Nesta sexta-feira, o candidato trabalhista que tentava substituir Ussher perdeu para um liberal-democrata. Mas nem todos os afetados pelo escândalo dos reembolsos perderam suas vagas no Parlamento. A trabalhista Hazel Blears, que no ano passado foi acusada de usar quase 5 mil libras (R$ 13 mil) do dinheiro público para comprar móveis para sua casa, conseguiu se reeleger para a Casa dos Comuns pelo distrito de Salford. Em Luton South, o candidato trabalhista Gavin Shuker, de 28 anos, conseguiu se eleger, mesmo após a atual parlamentar do partido no distrito, Margaret Moran, ter se envolvido no escândalo dos reembolsos por gastar 22 mil libras (quase R$ 60 mil) indevidamente na compra de um terreno.

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