'Política mesquinha' não pode minar esforço no Oriente Médio, diz Obama

Presidente dos EUA faz apelo por acordo que leve à criação do Estado palestino e diz que "porta da diplomacia" está aberta ao Irã

BBC Brasil |

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quinta-feira em discurso na Assembleia Geral da ONU um esforço para impedir que “o terror, a turbulência ou a política mesquinha” minem as negociações de paz entre Israel e palestinos e a criação de um Estado palestino dentro de um ano.

“Muitos estão pessimistas quanto ao processo (de paz). Os cínicos dizem que israelenses e palestinos são muito desconfiados uns dos outros e muito divididos internamente”, disse Obama, na 65ª assembleia da ONU, em Nova York.

“Mas consideremos a alternativa. Se um acordo não for alcançado, palestinos nunca conhecerão o orgulho e a dignidade que vêm de um Estado próprio. Os israelenses nunca conhecerão a certeza e a segurança que vêm com a soberania e vizinhos estáveis, comprometidos com a coexistência.”
Representantes americanos estão mediando atualmente o relançamento de negociações diretas entre palestinos e israelenses, e encontros bilaterais ocorreram recentemente em Washington, no Egito e em Jerusalém.

AFP
Obama discursou na 65ª Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira


Os Estados Unidos disseram recentemente que os dois lados “estão comprometidos” e lidando “com as questões mais difíceis” das negociações, mas nenhum avanço concreto foi noticiado até o momento.

Assentamentos

Na quarta-feira, tumultos em Jerusalém feriram dez israelenses e 14 palestinos e expuseram a tensão latente entre os dois lados.

O fim, no próximo dia 26, do congelamento adotado por Israel para construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia ameaça o sucesso do diálogo.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse na terça-feira que seu lado vai abandonar as negociações se o congelamento não for prorrogado, e Obama voltou a pedir a extensão da medida.
O presidente americano reforçou o compromisso americano com a segurança de Israel – que tem nos Estados Unidos seu principal aliado –, dizendo que “qualquer esforço para tirar a legitimidade do país enfrentará oposição inabalável dos Estados Unidos”.

Ao mesmo tempo, exaltou Abbas por mostrar “coragem muito maior do que aqueles que lançam foguetes contra mulheres e crianças inocentes”, numa aparente alusão ao grupo radical palestino Hamas.

“Desta vez, pensemos não em nós mesmos, mas na jovem menina de Gaza que quer que não haja limites para seus sonhos, ou no jovem garoto de Sderot (Israel), que quer dormir sem o pesadelo de bombardeio de foguetes”, agregou. “Desta vez, temos alcançar o que há de melhor em nós. Se o fizermos, quando voltarmos para cá no ano que vem, poderemos ter um acordo que resultará em um novo membro da ONU – um Estado palestino independente, vivendo em paz com Israel.”

Irã, economia e guerra

Ao falar sobre o Irã, o presidente americano disse que o país persa tem que “demonstrar um compromisso claro e crível e comprovar ao mundo as intenções pacíficas de seu programa nuclear”.
Teerã tem avançado com seu programa atômico, mas rejeita as acusações do Ocidente de que almeja obter a bomba nuclear. Obama disse que “os Estados Unidos e a comunidade internacional buscam uma resolução para nossas diferenças com o Irã, e a porta da diplomacia permanece aberta caso o Irã decida atravessá-la”.

Num momento em que a má fase econômica dos EUA abala a popularidade de Obama, o presidente disse que não descansará “até a retomada da prosperidade para americanos e para o resto do mundo”. Mas, exaltando a reforma financeira feita por seu governo, agregou que “a economia global foi trazida de volta da beira do abismo”.

Obama disse que os Estados Unidos estão “travando uma guerra mais efetiva contra a Al Qaeda” para impedir que o grupo extremista tenha um “abrigo seguro”. O líder americano ressaltou a retirada americana do Iraque, o esforço para “uma parceria duradoura com o povo iraquiano” e o aumento do contingente americano no Afeganistão.

O presidente terminou seu discurso falando de direitos humanos, da obrigação dos países de “dar poder aos indivíduos” e dizendo que os EUA “farão parcerias com nações que oferecem a seu povo um caminho para sair da pobreza”.

‘Polarização’

Obama chegou um pouco atrasado à ONU, forçando os organizadores a colocar a presidente suíça, Doris Leuthard, para falar após o discurso do chanceler brasileiro, Celso Amorim.

Antes dele, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertara para a crescente polarização política e para a desigualdade social, dizendo que o mundo está, no momento, “sendo testado”.

“Ouvimos a linguagem do medo, das falsas divisões entre ‘eles’ e ‘nós’, daqueles que insistem em ‘seu jeito ou nenhum jeito’”, declarou Ban. “Lembremos que o mundo ainda olha para as Nações Unidas para liderança moral e política.”

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