Polícia enfrenta manifestantes em 'dia da revolta' no Egito

A polícia usou canhões de água contra a multidão no Cairo

BBC Brasil |

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Tropas de choque na capital egípcia, Cairo, entraram em confronto nesta terça-feira com milhares de manifestantes que exigem reformas políticas no país em um evento batizado pelos participantes de "dia da revolta". A manifestação foi inspiradada pela onda de protestos populares que vem sacudindo a Tunísia desde dezembro e que levaram neste mês à renúncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali.

A polícia usou canhões de água e bombas de gás de efeito moral para dispersar a multidão que se reuniu no centro do Cairo. Aglomerações e manifestações populares são proibidas há décadas no Egito, governado desde 1981 por Hosni Mubarak.

Oposição dividida

Um correspondente da BBC na cidade diz que ocorrem manifestações em diversos pontos do Cairo e que o alto comparecimento parece ter surpreendido até os organizadores.

Os protestos começaram pacíficos, mas à medida em que cresciam, surgiram os primeiros episódios de violência. Ocorreram protestos também em outras cidades, como Alexandria, no norte do país. Os protestos reuniram milhares de pessoas no Cairo.

Os manifestantes têm três reivindicações principais: a suspensão da lei de emergência que vigora permanentemente no país (e que restringe liberdades civis), a saída do ministro do Interior e a adoção de um limite de tempo ao mandato presidencial - o que poderia levar ao fim do governo de Mubarak. O Egito compartilha muitos dos problemas que geraram os problemas na vizinha Tunísia, como o aumento de preços de alimentos, alto índice de desemprego e revolta contra o que percebem ser a corrupção do governo.

Manifestações de Túnis inspiraram os protestos egípcios, mas a oposição egípcia se dividiu em relação ao protesto. Um de seus líderes, Mohamed El Baradei, pediu para que a população participasse, mas o maior movimento oposicionista do país, a Irmandade Muçulmana, assumiu uma posição mais ambivalente. A organização disse que não iria aderir oficialmente aos protestos, mas também não iria pedir que seus membros não participassem deles. A população egípcia tem um nível educacional muito mais baixo do que a tunisiana, com alta taxa de analfabetismo e pouco acesso à internet.

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