Polícia em cidade espanhola faz patrulha de ônibus por falta de dinheiro

Sem verba para consertar ou comprar viaturas, policiais observam a cidade pela janela dos veículos públicos

BBC Brasil |

selo

Policiais de uma cidade no sul da Espanha estão sendo obrigados a fazer patrulhas a pé ou de ônibus por falta de dinheiro. A prefeitura da cidade de La Línea de la Concepción admitiu que não tem verba para consertar as viaturas ou para comprar novos veículos. A crise é tamanha que falta dinheiro até para pagar as contas de luz.

BBC
Policiais fazem patrulha dentro de ônibus em La Línea de la Concepción
"Patrulhar a pé ou de ônibus não me parece nenhum problema gravíssimo", descreveu o prefeito Alejandro Sánchez em uma sessão plenária as autoridades municipais.

O prefeito batizou o novo estilo de patrulhamento como "polibus", um sistema que ele afirma ter copiado de outros países (sem dizer quais) até que o "problema de falta de liquidez seja resolvido".

Desde 15 de novembro, os policiais têm que pegar ônibus de linhas públicas e monitorar as ruas olhando pela janela em busca de incidentes. Como passageiros normais, os guardas entram uniformizados nos veículos, se posicionam ao lado de janelas e vigiam a cidade, dividida por zonas, segundo os trajetos dos ônibus. No caso de avistar alguma ocorrência que exija intervenção policial, eles deixam o ônibus no próximo ponto ou comunicam-se com outros policiais para que estes cheguem a pé o mais rápido possível ao local.

'Terceiro mundo'

Das nove viaturas da prefeitura, apenas uma está circulando, porque o restante está em oficinas mecânicas ou impedido de sair por excessos de multas. O sindicato da polícia espanhola definiu a situação como "típica do terceiro mundo".

O secretário-geral do Sindicato Unificado da Polícia, Francisco Camacho, disse que "a questão é lamentável". "Ninguém pode imaginar 50 policiais por turno todos os dias patrulhando uma cidade a pé", alegou. "Em uma emergência, não podemos fazer nada. As pessoas reclamam, mas se um policial tem que esperar um ônibus para chegar até o local da urgência... é uma loucura", disse em entrevista coletiva.

O prefeito confirmou que "as viaturas estão fora de serviço porque não passaram a Inspeção Técnica de Veículos (IPVA espanhola) e (porque) falta liquidez para todos os consertos e multas". Mas disse que está negociando com uma empresa um empréstimo de veículos para emergências e que espera resolver o problema em um prazo de dois meses.

Turistas e drogas

A cidade de La Línea de la Concepción tem cerca de 70 mil habitantes e faz fronteira com o território britânico de Gibraltar. Além de monitorar o trânsito de turistas que cruzam ambos os países, a polícia vigia o movimento dos barcos e balsas para coibir o tráfico de drogas do norte da África para a Europa.

Por causa da situação, partidos de oposição e representantes da polícia acusam o prefeito de desorganização e descaso. O Sindicato da Polícia Municipal já entrou com um processo judicial contra a prefeitura de La Línea de la Concepción e fez uma queixa oficial à Direção Geral de Tráfico.

O presidente deste sindicato, Juan Carlos Serrano, disse à BBC Brasil que, antes de começarem a patrulhar a pé ou de ônibus, os policiais apresentaram várias alternativas ao município, mas não houve acordo. Uma das opções oferecidas seria a de providenciar o conserto de motos antigas. "Mas estão em estado tão precário, que você olha e nem acredita que aquilo é um veículo", completou.

    Leia tudo sobre: espanhapolíciadinheiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG