Polícia desbloqueia aeroporto na França em meio a intensificação de protestos

Número de postos de gasolina com as bombas secas ou sofrendo problemas sérios de abastecimento já chega a cinco mil, 45% do total

BBC Brasil |

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Em mais uma ação de protesto contra o projeto de reforma da Previdência na França, manifestantes bloquearam na manhã desta quinta-feira o acesso ao aeroporto de Marselha, terceira maior cidade do país. O local foi liberado, pacificamente, algumas horas depois, com a chegada de tropas de choque da polícia francesa.



O principal sindicato do país informou que não pretende ceder em suas exigências sobre a reforma da Previdência e anunciou que convocará uma nova jornada de greve geral e manifestações. Em meio a atos como o de Marselha, os franceses vivem dias de tensão com a crescente escassez de combustível no país, causada pelo bloqueio de refinarias.

O número de postos de gasolina com as bombas secas ou sofrendo problemas sérios de abastecimento já chega a cinco mil, o que representa cerca de 45% do total. A situação forçou algumas agências de locação de veículos a oferecer carros com apenas metade do tanque abastecido. Muitos clientes devolvem os automóveis praticamente sem combustível, devido à falta de postos de gasolina onde abastecer.

O governo garante que não haverá problemas durante o período de férias escolares que começa neste fim de semana, mas ainda não explicou como resolverá a escassez de combustível.

Novos bloqueios

A ordem de liberar à força os depósitos de combustível ocupados, dada na terça-feira pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, não evitou novos bloqueios. A escassez já afeta o setor de distribuição, parte da indústria e pequenas empresas.

Os manifestantes, porém, dizem que intensificarão suas ações nos próximos dias. "O governo se mantém intransigente. Precisamos continuar com grandes ações na próxima semana... Pediremos aos sindicatos que adotem medidas fortes que permitam às pessoas interromper o trabalho e sair às ruas", afirmou Bernard Thibault, presidente da CGT, a principal central sindical do país.

Enquanto isso, novas ações são realizadas pelos manifestantes. Embora tenha havido uma melhora nos transportes públicos, algumas cidades ainda sofrem com a paralisação total dos motoristas de ônibus. Em Paris, onde a situação caminhava para uma normalização, manifestantes invadiram estações ferroviárias, causando atrasos e cancelamentos. Nesta quinta-feira, os estudantes voltam às ruas do país para protestar.

As autoridades estão em alerta e temem novas imagens como as vistas em Lyon na quarta-feira, quando jovens radicais e policiais se enfrentaram de maneira violenta no centro da cidade. Sobrou até para a cantora pop Lady Gaga. Ela teve que cancelar dois shows que faria neste fim de semana, em Paris. A produção alegou problemas de logística causados pelas manifestações contra a reforma da Previdência na França.

O projeto de reforma da Previdência, que entre seus pontos mais polêmicos aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos, deve começar a ser votado pelo Senado nesta quinta-feira.

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