Pior do surto da E.coli passou, diz Alemanha

Apesar da declaração, ministro da Saúde alemão adverte que deve haver mais mortes, já que novos casos da doença ainda aparecem

BBC Brasil |

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O número de casos de infecção pela bactéria E.coli está caindo significativamente e pode indicar que o pior do surto já passou, segundo afirmou nesta quarta-feira o ministro da Saúde da Alemanha, Daniel Bahr.

AP
Vendedor de rua é visto perto de pepinos expostos para venda do lado de fora de mercado de Berlim. Pepinos espanhóis foram apontados erroneamente como causa de surto
Em uma entrevista à TV alemã ARD, Bahr se disse “cautelosamente otimista” de que a situação está melhorando, mas advertiu que deve haver mais mortes, já que novos casos continuam aparecendo a cada dia. “Não posso dizer que acabou, mas, após analisar os últimos dados, temos uma razão razoável para esperança”, disse.

O surto iniciado há duas semanas no norte da Alemanha infectou mais de 2,4 mil pessoas e provocou 24 mortes. Centenas também desenvolveram complicações renais e neurológicas.

Críticas

O governo alemão foi duramente criticado pela forma como lidou com o caso. Inicialmente, as autoridades alemãs haviam responsabilizado pepinos importados da Espanha como a fonte da contaminação pela E.coli, mas testes não comprovaram a contaminação nos legumes.

No último fim de semana, uma fazenda produtora de brotos vegetais próxima de Hamburgo foi apontada como a origem da contaminação, mas até o momento os testes não indicaram a ligaçã o.

O caso provocou grandes perdas aos produtores agrícolas europeus. A Rússia, principal mercado para os legumes e verduras da União Europeia, anunciou na semana passada a proibição da importação desses produtos .

Na terça-feira, a União Europeia propôs um fundo de 150 milhões de euros (R$ 347 milhões) para compensar os produtores pelas perdas. Mas ministros da Agricultura dos países do bloco dizem que é necessário mais e pedem uma compensação total aos produtores pelas perdas, estimadas em até 417 milhões de euros (R$ 962 milhões) por semana.

Divulgação prematura

O comissário da União Europeia para Saúde, John Dalli, também advertiu contra a divulgação prematura de informações não comprovadas sobre a origem do surto. “Isso espalha temores não justificados entre a população em toda a Europa e cria problemas para nossos produtores de alimentos”, disse.

Mas a secretária da Saúde de Hamburgo, Cornelia Pruefer-Storcks, defendeu a decisão das autoridades locais de divulgar uma advertência sobre os pepinos espanhóis no início da crise. “Tínhamos uma situação diferente aqui em Hamburgo quando publicamos nossa advertência sobre os pepinos espanhóis e os removemos das prateleiras”, disse.

"Em dois testes de laboratório tivemos resultados positivos para a E.coli, que foram confirmados duas vezes pelo laboratório do governo e pelo laboratório da União Europeia, então isso não era um processo para consideração, era imperativo (a advertência)”, afirmou.

Pruefer-Storcks disse também que os resultados dos testes com os brotos apontados como a origem da contaminação no último fim de semana foram inconclusivos até agora. Mas ela confirmou a posição de Bahr, dizendo que as clínicas que vêm tratando dos pacientes infectados haviam informado que “a situação está melhorando gradualmente”.

“Estamos vendo os primeiros pacientes terem alta, outros estão melhorando bastante, então os primeiros raios de esperança estão no horizonte”, disse.

A entidade estatal alemã responsável por controle e prevenção de doenças, o Instituto Robert Koch, disse que o número de novos casos de infecção vem caindo, mas afirmou que ainda não sabe ao certo se a situação se manterá.

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