Peru deve ter segundo turno nas eleições presidenciais

Disputa pelo segundo lugar segue acirrada entre Kuczynski e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori

BBC Brasil |

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Com 43% dos votos apurados, o candidato nacionalista Ollanta Humala (centro-esquerda) está liderando o primeiro turno das eleições presidenciais do Peru, realizadas neste domingo.

Humala, que durante a campanha se distanciou de Hugo Chávez e adotou um discurso mais conciliador, tem 27% dos votos apurados até o momento, enquanto o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski conta com 23,6% e a candidata conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tem 21,8% dos votos.

As pesquisas de boca-de-urna apontaram, no entanto, que o segundo turno, em junho, deveria ser disputado entre Humala, que conseguirira entre 31 e 34% dos votos, e Keiko Fujimori.

Keiko obteve, nas pesquisas realizadas antes da apuração, entre 21% e 22% dos votos, seguida muito de perto pelo ex-ministro de Economia Pedro Pablo Kuczynski (com ao redor de 20%). O ex-presidente Alejandro Toledo estava em quarto, com 15%.

O resultado do segundo turno é incerto: apesar da liderança nos votos, Humala conta com grande rejeição por parte do eleitorado, que critica sua proximidade com o presidente venezuelano.

O pleito de domingo, um dos mais disputados da história recente do Peru, definirá o sucessor do presidente Alan García e a nova composição do Parlamento.

De acordo com pesquisas e especialistas, nenhum candidato presidencial conseguirá obter apoio da maioria das 130 cadeiras na composição do novo Parlamento, o que deve obrigar o vencedor a formar um governo de coalizão. Segundo a OEA (Organização dos Estados Americanos), que atuou como observadora eleitoral, a votação transcorreu “com normalidade e tranquilidade”.

Promessas e dívida social

Humala prometeu em campanha incrementar a presença do Estado na economia do país e propõe a nacionalização de setores e recursos considerados estratégicos, como o petróleo e gás. Em seu último comício, ele pediu à população que votasse "sem medo" de mudanças.

Já Keiko Fujimori apostou no polêmico legado do pai - cujo governo foi marcado por violações de direitos humanos e escândalos de corrupção - para tentar se tornar a primeira mulher presidente do Peru. Quem sair vitorioso do processo eleitoral que começa neste domingo herdará um país com uma economia relativamente estável, mas com uma acentuada dívida social.

A economia do Peru cresceu a uma média de 7% nos últimos anos, o maior crescimento registrado na região, graças à alta dos preços dos minerais, uma das bases de sua economia. García fortaleceu a tendência econômica primária-exportadora, com uma política voltada à ampliação do livre comércio e de atração a investimentos estrangeiros.

Por outro lado, o crescimento da economia não trouxe uma redução da brecha social entre ricos e pobres. Cerca de um terço dos cerca de 30 milhões de peruanos vive na pobreza. No campo, esse índice supera 60% da população.

"A desigualdade social aumentou. A maior parte da população vê que há geração de riquezas, mas que não chegam até elas", afirmou à BBC Brasil o sociólogo David Sulmont, professor da Universidade Católica do Peru. "A economia cresceu mais do que o bem-estar da população." Para Lorena Alcazar, do Grupo de Análise para o Desenvolvimento (GRADE), o principal desafio do novo presidente será diminuir a brecha social que, a seu ver, gera tensão, em especial nas classes populares.

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