Passaportes falsos aumentam pressão sobre Israel por crime em Dubai

O número crescente de reclamações dentro e fora de Israel contra uma ação atribuída ao serviço secreto de Israel (Mossad) em que um líder do grupo palestino Hamas foi assassinado vem aumentando a pressão sobre as autoridades do país. Vários países alegam que os agentes envolvidos na ação usaram passaportes falsos, gerando protestos contra o governo israelense - que não confirma nem nega a responsabilidade sobre o assassinato de Mahmoud Al-Mabhouh em Dubai em 20 de janeiro.

BBC Brasil |

Até agora, 26 nomes foram divulgados pela polícia da cidade dos Emirados Árabes Unidos como de suspeitos pela morte do líder do Hamas.

Após a divulgação de uma nova lista com mais 15 suspeitos, na quarta-feira, o número de cidadãos israelenses que afirmam que suas identidades foram roubadas na ação aumentou para 17.

Essas são pessoas que moram em Israel e se dizem chocadas e apavoradas, alegando que não tem nada a ver com a história de espionagem.

Além de ter seus nomes na Interpol como procurados por assassinato, esses cidadãos comuns estão tendo sua privacidade invadida.

Novos suspeitos
Nesta quinta-feira, o governo australiano convocou o embaixador de Israel no país para obter esclarecimentos sobre o uso de passaportes australianos falsos por três dos suspeitos.

Com isso, a Austrália se juntou à Grã-Bretanha, França, Irlanda e Alemanha ao manifestar indignação pelo uso de seu passaporte pelos supostos agentes.

Entre os suspeitos de serem "exterminadores" estão Gabriella Barney, Bruce Joshua Daniel e Adam Korman.

A israelense Gabriella Barney, uma garota de 21 anos, é filha de Michael Barney, cujo nome já estava incluído na primeira lista divulgada por Dubai, compondo assim uma família de agentes secretos. Mas ambos dizem não ter nada a ver com a história.

Bruce Joshua Daniel foi identificado na lista como um homem, Daniel Bruce - mas, na realidade, o suspeito é uma mulher que mora na cidade israelense de Kiriat Ata e nem tem cidadania estrangeira.

Adam Korman é um afinador de violinos que mora em Tel Aviv, e sua esposa afirmou que "a família está em estado de choque, não fizemos nada de mal e não sabemos o que fazer com essa informação".

Resultados válidos?
Diante do constrangimento externo e interno, vários analistas e especialistas em assuntos de inteligência questionam os resultados da operação em Dubai.

"Será que Mabhouh merecia tudo isso?" pergunta o especialista em assuntos de inteligência do jornal Yediot Ahronot, Ronen Bergman.

E ele mesmo responde: "depende a quem se pergunta, a maioria das pessoas relevantes concorda que somente caso ele próprio (Mabhouh) estivesse carregando um projétil nuclear de Teerã para Gaza, então o enorme risco, cujos detalhes jamais serão revelados, valeria a pena".

O ex-agente do Mossad, Rami Igra, disse ao canal dez da TV israelense que não acredita que o Mossad possa ser "tão desajeitado" a ponto de roubar identidades de cidadãos israelenses.

De acordo com Ari Shavit, analista do jornal Haaretz, depois do assassinato, o chefe do Mossad, Meir Dagan, deixou de ser visto como um "herói" e tornou-se um "fiasco" e em vez de ser o "querido da nação", transformou-se na "vergonha do Estado".

Quando questionado sobre o envolvimento do Mossad na operação, o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, disse aos jornalistas que "assistem demais a filmes de James Bond".

Lieberman também afirmou que "não há provas" do envolvimento de Israel na operação.

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