Partido sudanês defende separação entre norte e sul do país

Norte tem maioria muçulmana, enquanto cristãos se concentram no sul; tensão cresce à medida que referendo de janeiro se aproxima

BBC Brasil |

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O partido governista do sul do Sudão (SPLM) apoiou publicamente, pela primeira vez, a independência para a região, que será objeto de referendo no próximo mês. A declaração contrasta com os termos de um acordo de paz de 2005, que pôs fim a décadas de guerra civil com o norte do país.

Segundo os termos do acordo, o SPLM e o partido governista do norte, NCP, concordavam em buscar a unidade. Mas Anne Itto, uma membro sênior do SPLM, disse neste sábado que as ações do NCP faziam com que a unidade parecesse “pouco atraente”. Por isso, instou os sulistas a votar em favor da independência.

O norte é habitado pela maioria da população muçulmana sunita, enquanto os cristãos se concentram no sul e na capital Cartum.

O correspondente da BBC em Cartum James Copnall relata que a aprovação da divisão do país tem ganhado força e que pouco foi feito pelos dos partidos para buscar de fato uma união.

As tensões crescem à medida que o referendo de janeiro se aproxima, com o SPLM acusando o norte por diversos ataques em pequena escala no sul. Os militares do norte negam as acusações.

Itto disse que não houve nenhum progresso nas recentes negociações entre os dois partidos. “Tivemos diversas reuniões sem resultados. Nem em segurança, em tratados internacionais, em finanças, em recursos naturais, nem mesmo em cidadania”, disse a jornalistas.

Balanço de forças

Em paralelo, a organização do referendo disse que está em curso uma campanha para dinamitar o processo, criando “confusão” com alegações de problemas na votação. Em Darfur, no oeste do país, o temor é que a divisão do país resulte em mais violência na empobrecida e conflituosa região.

Caso se confirme a separação do sul, o balanço de forças no Sudão deverá ser drasticamente alterado. Em um país substancialmente menor, a importância relativa dos rebeldes de Darfur - acusados de genocídio - deverá crescer.

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