Partido de Obama perde maioria na Câmara mas mantém controle do Senado

Para especialistas, resultado das urnas revela o descontentamento dos americanos com o governo de Obama

BBC Brasil |

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O Partido Democrata, do presidente Barack Obama, perdeu a maioria na Câmara dos Representantes, mas manteve o controle do Senado nas eleições legislativas dos Estados Unidos, nesta terça-feira. Segundo resultados parciais, o Partido Republicano conquistou mais de 39 cadeiras na Câmara dos Representantes que antes estavam nas mãos dos democratas, ganhando assim o controle da Casa.

Na corrida pelo Senado, apesar de candidatos democratas terem perdido vagas para a oposição em pelo menos cinco Estados, o partido conseguiu manter a maioria. A contagem dos votos ainda está em andamento. As últimas urnas foram fechadas no Alasca, à 1h da madrugada desta quarta-feira em Washington (3h em Brasília).

Os resultados das eleições mostram ainda a vitória de algumas estrelas do movimento conservador Tea Party: em Kentucky, o republicano Rand Paul venceu o democrata Jack Conway, e na Flórida, Marco Rubio venceu o independente Charlie Christ e o democrata Knedrick Meek. No entanto, uma das figuras de maior destaque do Tea Party nesta campanha, Christine O'Donnell, perdeu a corrida pelo Senado em Delaware para o democrata Christopher Coons.

Mesmo sem a totalidade dos votos computados, o deputado John Boehner, líder republicano que deverá assumir como o novo presidente da Câmara dos Representantes, fez um discurso pouco depois da meia-noite (2h de quarta-feira, em Brasília) declarando a vitória de seu partido. No pronunciamento, Boehner prometeu reduzir os gastos do governo e o tamanho do Estado.

Descontentamento

A virada no comando do Congresso já era prevista e, segundo analistas, deverá tornar mais difícil para Obama levar adiante muitas de suas propostas até o final de seu mandato. Especialistas afirmam que o resultado das urnas demonstra o descontentamento dos eleitores americanos com os dois primeiros anos do governo de Obama e, principalmente, com a lenta recuperação da economia do país.

Estavam em jogo nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado. Os eleitores também escolheram governadores de 37 dos 50 Estados americanos. Para assumir o controle da Câmara, os republicanos precisavam tirar pelo menos 39 cadeiras dos democratas - resultado que deixaria o partido de Obama com 216 cadeiras. No Senado, os republicanos precisariam ganhar 10 cadeiras para obter o controle.

A eleição desta terça-feira é considerada um veredicto sobre o governo de Obama, que assumiu prometendo mudanças mas ainda não conseguiu implementar muitos de seus projetos. Os Estados Unidos conseguiram sair da recessão, mas o ritmo da recuperação econômica tem sido considerado lento demais para reduzir a taxa de desemprego, que permanece há vários meses em torno de 10%.

Especialistas afirmam ainda que as grandes conquistas dos primeiros anos de Obama na Casa Branca, como as reformas da saúde e do sistema financeiro, exigiram medidas impopulares e resultaram em queda nos índices de aprovação do presidente.

Tea Party

Nesse cenário de descontentamento da população e de uma certa apatia dos democratas, os republicanos ganharam força, ajudados pela popularidade do Tea Party, movimento que não é um partido político e reúne centenas de grupos conservadores espalhados pelo país.

Os membros do Tea Party se opõem às políticas do governo Obama e à interferência do Estado na economia e em outros setores da sociedade, e muitos candidatos republicanos apoiados pelo movimento ganharam destaque nesta campanha - em muitos casos desbancando políticos tradicionais do Partido Republicano nas primárias.

Em muitos dos Estados, além votar em candidatos ao Congresso e aos governos locais, os eleitores também participaram de referendos a respeito de cerca de 160 medidas. Em um dos mais polêmicos, eleitores da Califórnia tiveram de decidir se apóiam ou não a legalização da maconha no Estado. Resultados parciais indicam que a proposta foi rejeitada.

Na disputa pelos governos estaduais, os republicanos conquistaram pelo menos um Estado considerado crucial para as eleições presidenciais de 2012: em Ohio, John Kasich derrotou o governador democrata Ted Strickland. No entanto, os democratas saíram vitoriosos em outros Estados importantes, como Nova York, onde Andrew Cuomo derrotou o republicano Carl Paladino.

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