Para Garcia, países da cúpula devem apoiar Argentina sobre Ilhas Malvinas

Os chefes de Estado que participam da 2ª Cúpula da América Latina e Caribe, em Cancún, no México, devem sair do encontro com um documento de apoio à Argentina sobre a questão das ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses).

BBC Brasil |

Essa, pelo menos, é a expectativa do governo brasileiro, segundo o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Seguramente vamos sair daqui com uma posição de apoio. Não sei exatamente em que termo, mas sairemos com uma posição firme, disse Garcia a jornalistas em Cancún.

Segundo ele, essa é uma questão de alta sensibilidade para toda a região.

Temos hoje, felizmente, uma posição consensual de apoio, diferentemente do passado, afirmou.

Segundo Garcia, quando houve a guerra das Malvinas, em 1982, o cenário era diferente. Segundo ele, naquela época, a Argentina vivia num regime militar, o que poderia tornar mais turva a situação.

Ele lembrou ainda que, mesmo naquele episódio da década de 80, a posição da diplomacia brasileira foi de apoio à Argentina.

Apoio dos vizinhos

O  governo argentino está protestando contra a iniciativa da Grã-Bretanha, que tem a jurisdição do arquipélago, de iniciar a exploração de petróleo nas ilhas Malvinas e convocar licitações sem comunicar a Argentina.

A primeira plataforma de exploração deve começar o processo de exploração já nesta segunda-feira.

Na útlima sexta-feira, o governo argentino já havia sinalizado que buscaria o apoio da região na questão das Malvinas.

O porta-voz oficial da Argentina para a questão, o deputado Ruperto Godoy, disse à BBC que o país buscaria apoio internacional dos vizinhos para tentar reverter a exploração de petróleo por parte da Grã-Bretanha no arquipélago.

"Estou certo de que não haverá problema para coordenar com nossos países irmãos esta decisão tomada pela Argentina", disse Godoy, que também é vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

O deputado citou o encontro do Grupo do Rio, no México, e afirmou não ter "a menor dúvida de que a Argentina encontrará solidariedade de todos os países".

Tensões

As disputas entre a Argentina e a Grã-Bretanha envolvendo as ilhas Malvinas, sob controle britânico desde 1833, já foi objeto de uma guerra em 1982, quando os argentinos foram derrotados após tentarem uma invasão.

Apesar da derrota das tropas argentinas, o governo mantém uma reivindicação pela soberania das ilhas na ONU e defende sua jurisdição sobre as Malvinas.

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