Para filha de brasileiro morto em Israel, troca de presos pode ajudar paz

Deborah diz não ter sido 'agradável' saber que palestino acusado de ataque que matou seu pai seria solto em troca de Gilad Shalit

BBC Brasil |

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AP
Após ser libertado, Shalit fala com os pais ao telefone em local desconhecido
A inclusão de Husan Badran na lista de prisioneiros palestinos que Israel libertaria em troca do soldado Gilad Shalit não foi uma notícia "agradável", mas parte de uma medida "compreensível", na opinião de uma brasileira que perdeu o pai em um atentado organizado por Badran.

O militante planejou o ataque suicida que há dez anos matou Giora Balazs, pai da museóloga paulistana Deborah Brando Balazs da Costa Faria, em Jerusalém. O ataque feriu Deborah e sua madrasta, que estavam juntos com o pai.

"Não é agradável, não é a notícia que eu gostaria de ouvir. Mas é uma política de governo. Quem sabe isso não é uma semente para a paz?", diz Deborah, hoje com 54 anos, em entrevista à BBC Brasil.

No dia 9 de agosto de 2001, Giora Balazs, na época com 68 anos, caminhava com a filha Deborah e a segunda mulher, Flora Rosembaum, quando um militante suicida detonou explosivos em frente a uma pizzaria em Jerusalém. Deborah e Flora ficaram hospitalizadas por vários dias em Israel, antes de voltar a São Paulo, onde continuam a viver.

Husan Badran, condenado por planejar o ataque, foi incluído na lista inicial apresentada pelo Hamas, de 477 prisioneiros que seriam libertados antes da soltura de Shalit, sequestrado havia cinco anos por militantes palestinos.

O acordo foi fechado entre o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o grupo islâmico Hamas, que controla o território palestino da Faixa de Gaza. A libertação de Shalit se tornou uma causa nacional em Israel. Os pais do soldado chegaram a montar um acampamento em frente à residência do primeiro-ministro para pressionar o governo.

Recursos

Deborah, Flora e outros membros da família têm voltado todos os anos para Israel, para visitar o túmulo de Giora Balazs, enterrado em Ashkelon, no sul do país. A viagem é paga pelo governo israelense, como parte da indenização dada à família. Segundo Deborah, Flora Rosembaum tem opinião parecida à sua sobre o acordo que inclui a libertação de prisioneiros palestinos.

Algumas famílias de vítimas israelenses, no entanto, entraram com recursos contra o acordo. As petições foram analisadas e rejeitas na segunda-feira pela Suprema Corte de Israel .

Deborah diz que "não sabe responder" à pergunta sobre se é uma otimista com o futuro de Israel e sobre a paz na região. Ela também acha "complicado" e prefere não emitir opiniões sobre o governo de Netanyahu, que enfrenta fortes críticas internacionais por manter a expansão de assentamentos israelenses em territórios palestinos.

"A gente nunca sabe muito bem o que irá acontecer (em Israel). Quem sabe isso não abra uma nova brecha (para a paz)?", questiona.

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