Paquistão enterra soldados mortos em ofensiva, e Otan se desculpa

Em retaliação à morte de pelo menos 24 militares no sábado, Islamabad fecha rotas de apoio a tropas ocidentais da Aliança

BBC Brasil |

Em meio a protestos e a pedidos de desculpas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o Paquistão enterrou neste domingo 24 soldados que foram vítimas de um ataque aéreo perpetrado na véspera pela aliança ocidental contra um posto militar paquistanês.

AP
Soldados do Exército paquistanês carregam os caixões de militares mortos por ataque da Otan no sábado durante enterro em Peshawar
O ataque deteriorou as já tensas relações entre EUA e Paquistão e provocou uma retaliação do governo paquistanês, que fechou os corredores usados pela Otan para levar carregamentos à campanha no Afeganistão e pediu que militares americanos desocupem em até 15 dias a base de Shamsi, na Província do Baluchistão.

A Otan pediu desculpas pelo episódio, chamando-o de um "incidente trágico e não intencional", e prometeu investigar as circunstâncias do caso. O secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, disse que escreveu ao premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, para "deixar claro que as mortes de soldados paquistaneses são tão inaceitáveis e deploráveis quanto as mortes de afegãos e soldados internacionais".

Da parte dos EUA, o secretário da Defesa, Leon Panetta, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, enviaram mensagem a Islamabad oferecendo condolências, defendendo as investigações do caso e ressaltando a "importância da parceria EUA-Paquistão, que serve a interesses mútuos do nosso povo".

Apesar de aliado incômodo e de ter sido acusado diversas vezes de conivência com a milícia islâmica do Taleban, o Paquistão é considerado vital para o sucesso da Guerra do Afeganistão, por compartilhar laços tribais e uma extensa fronteira com o país, por onde passam suprimentos usados pelas forças da Otan.

Os laços de Islamabad e Washington já estavam deterioradas desde a operação americana que matou Osama Bin Laden em território paquistanês, em maio.

O episódio de sábado provocou protestos no Paquistão e uma dura crítica das autoridades. O premiê Gilani qualificou a ofensiva ocidental de "ultrajante" e ordenou uma reunião emergencial de seu gabinete, em que decidiu pela retaliação via corte de rota de suprimentos.

Áreas tribais

Há relatos de constantes operações americanas nas áreas tribais paquistanesas para caçar acusados de laços com o Taleban e a Al-Qaeda, que também costumam ser alvo de crítica entre paquistaneses.

Uma ação do tipo realizada por helicópteros americanos em 2010 resultou na morte de dois soldados paquistaneses, ofensiva que também foi retaliada com a interrupção do fluxo de suprimentos às tropas dos EUA no Afeganistão.

AP
Menino paquistanês (abaixo) grita slogans com outros manifestantes durante protesto nos arredores de Islamabad contra ataque da Otan contra soldados do país
O posto de controle aparentemente alvejado no sábado foi criado justamente para prevenir que insurgentes cruzem a fronteira paquistanesa rumo ao Afeganistão, explica o correspondente da BBC no Paquistão, Shoaib Hasan.

Ele agrega que os soldados paquistaneses estão furiosos com o incidente, alegando que não havia atividade militar no posto no momento do suposto ataque.

    Leia tudo sobre: paquistãoafeganistãootanisafeuabin laden

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG