Palestinos não reconhecerão Israel como Estado judaico, dizem representantes

Líderes palestinos temem que refugiados percam direito de voltar a Israel

BBC Brasil |

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A proposta do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, de que os palestinos reconheçam Israel como o Estado da nação judaica em troca do congelamento das construções em territórios ocupados nunca poderá ser aceita, disseram representantes palestinos.

O ex-primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei, declarou que os palestinos rejeitam veementemente a proposta de Netanyahu.

Qorei também disse que "a situação não tolera mais manipulações" e afirmou que Netanyahu está tentando "se esquivar de um processo de paz verdadeiro e sério que possa garantir a ambas as partes seus direitos de acordo com a lei internacional".

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, acusou o premiê israelense de "fazer truques" e disse que o reconhecimento do caráter judaico de Israel não tem ligação com a obrigação de Israel de "cumprir seus compromissos de acordo com a lei internacional".

Esta não é a primeira vez que Netanyahu menciona a questão do reconhecimento.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, já disse algumas vezes que a liderança palestina já reconheceu a existência do Estado de Israel quando assinou o Acordo de Oslo, em 1993.

"Não é nosso papel definir o caráter de Israel ou sua identidade étnica ou religiosa", afirmou Abbas, "o importante é que reconhecemos sua existência".

"Por mim eles (os israelenses) podem se auto denominar o 'Império Judaico-Sionista'", afirmou o presidente palestino. Refugiados A resistência dos palestinos a reconhecer Israel como Estado judaico se deve ao temor em relação problema dos refugiados palestinos.

Segundo o Acordo de Oslo, a questão dos direitos dos refugiados, inclusive o direito ao retorno, deverá ser negociada entre as partes e o problema deverá ser resolvido no acordo final.

Os palestinos temem que reconhecer o caráter judaico de Israel antes da negociação possa comprometer os direitos dos 20% da população israelense que não são judeus e também anule a possibilidade de 500 mil refugiados palestinos e seus descendentes retornarem ao país.

Em discurso no Parlamento de Israel na segunda-feira, Netanyahu afirmou que pediria ao governo uma extensão do congelamento dos assentamentos se a liderança palestina "disser de maneira inequívoca para seu povo que reconheça Israel como a pátria do povo judeu".

Colonos A declaração de Netanyahu também despertou indignação por parte dos líderes dos colonos israelenses na Cisjordânia, que exigem a retomada total e imediata da construção dos assentamentos.

"A colonização é a fonte da força de Israel e não pode ser transformada em refém de Abu Mazen (apelido de Mahmoud Abbas)", declarou o Conselho da Judeia e Samaria (nome bíblico para Cisjordânia). Segundo o prefeito do assentamento de Beit El, Moshe Rozenboim, a extensão do congelamento significaria "não só a destruição da colonização em Judeia e Samaria, mas também a destruição do Estado de Israel".

O líder dos colonos no norte da Cisjordânia, Gershon Messica, disse que "Judeia e Samaria são parte central da terra de Israel e construir aqui é nosso direito e nossa obrigação sionista". Para Messica, a extensão do congelamento dos assentamentos seria "impensável".

Já de acordo com analistas locais, o próprio fato de Netanyahu ter mencionado a possibilidade de prolongar o congelamento indica uma mudança da atitude do premiê israelense, que desde o final do prazo anterior, no dia 26 de setembro, vinha dizendo que não estaria disposto a estendê-lo.

De acordo com o analista político do site de noticias Ynet, Atila Shompabli, em seu discurso no Parlamento, Netanyahu sinalizou que estaria disposto a ceder às pressões do governo americano e prolongar o congelamento.

Segundo fontes oficiais citadas pelo analista, Netanyahu "está procurando novas fórmulas" para justificar a extensão do congelamento.

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