'País do futebol', Brasil domina principal torneio de rodeio nos EUA

Os três competidores que lideram o Build Ford Tough Series, o maior campeonato de rodeio do mundo, são brasileiros

BBC Brasil |

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Com vários peões na disputa pelo principal prêmio mundial da modalidade deste ano, o Brasil, nação do futebol aos olhos estrangeiros, pode se tornar também o país do rodeio. A vitória do sul-matogrossense Douglas Ferreira na etapa do maior campeonato de rodeio do mundo -  Build Ford Tough Series (BFTS), disputado nos EUA - apenas reafirmou o que já tem sido designado como um "domínio brasileiro" no esporte.

Divulgação/ Professional Bull Riders
Adriano Moraes, que inaugurou a linhagem de peões vencedores do Brasil
Os três competidores que lideram o concurso são brasileiros: o paulista Silvano Alves - primeiro colocado -, o goiano Valdiron de Oliveira, segundo, e o acreano Robson Palermo, terceiro. O quarto lugar é americano, mas o quinto e o sexto lugares também são ocupados por peões do Brasil.

"A probabilidade de um brasileiro conquistar o título mundial deste ano é enorme", anima-se a seção brasileira da Professional Bull Riders, entidade com sede no Colorado que organiza os rodeios. "Com certeza só vai dar Brasil na final mundial."

A final será em Las Vegas, no fim do mês, daqui a três rodadas. O esporte requer que os competidores passem pelo menos oito segundos sobre touros bravos. Quanto mais longo o tempo que os peões permanecem montando o touro com apenas uma mão, maior a pontuação.

Os juízes também avaliam o controle, equilíbrio e o ritmo do peão. Além disso, os animais também são avaliados: quanto mais dificuldades colocarem para os competidores, maior a pontuação por resistir ao bicho. Com os brasileiros superando os peões de qualquer outra nacionalidade em tempo e dificuldade, muitos se perguntam qual é a razão por trás de tanto sucesso.

Técnica 'Made in Brazil'

Alguns apontam técnicas diferenciadas, adotadas pelos brasileiros para laçar os touros. Um post do site de rodeios Bullriding News explica, com a ajuda de um vídeo, as diferenças entre o nó utilizado por montadores americanos e brasileiros.

Enquanto no americano a corda oferece suporte mais forte para a mão quando o touro balança para um lado, deixando o outro lado mais frágil, o brasileiro oferece mais resistência de ambos os lados. Além disso, o posicionamento do nó em relação à espinha do touro é ligeiramente diferente, explica o veterano Ty Murray, campeão nove vezes do torneio e conselheiro da PBR.

A técnica foi difundida pelo peão mais notório e condecorado do Brasil, Adriano Moraes, hoje aposentado do esporte mas ainda ativo instruindo os novos competidores. O número dez no ranking da PBR, Luke Snyder, foi um dos que, segundo a imprensa americana, mudaram a sua forma de laçar o touro para adotar a técnica brasileira.

Mas há quem aponte outras características mais ligadas ao ambiente em que os peões brasileiros vivem e treinam. Com touros de até dois metros de altura, criados para o abate e, portanto, desenvolvidos para ter mais carne, as espécimes brasileiras intimidam quem chega de fora tentando aprender a técnica no Brasil.

Fenômeno nacional

Mas o próprio número 3 do ranking, o brasileiro Robson Palermo, discorda dessa avaliação. Os touros maiores são mais lentos e mais fáceis de montar, disse em uma reportagem do diário Wall Street Journal, que destacou o sucesso dos peões brasileiros nos EUA.

Para ele, os brasileiros são simplesmente mais concentrados e dão apoio um ao outro. O sucesso dos peões brasileiros em competições internacionais coincide com uma fase de ouro para o esporte no Brasil. Em linha com o boom econômico no campo, é a primeira vez que o campeonato da PBR no Brasil pagará R$ 1 milhão ao vencedor.

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