Outros três sobreviveram à chacina no México, diz equatoriano

Segundo imigrante que conseguiu escapar, mulher grávida com criança foi poupada por grupo autor do massacre

BBC Brasil |

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O equatoriano Luis Freddy Lala, sobrevivente da chacina da semana passada de 72 imigrantes no nordeste do México, disse que outras três pessoas se salvaram do massacre, incluindo uma mulher grávida e sua filha.

O imigrante equatoriano acredita que a mulher e a criança foram poupadas pelo grupo narcotraficante Los Zetas, acusados pela autoria do crime. O outro sobrevivente é um imigrante hondurenho, que fugiu com Lala da fazenda logo depois do crime. “Havia uma mulher grávida de uns nove meses, com uma menina, mas não a mataram. Não sei pra onde ela foi levada", afirmou Lala em uma entrevista transmitida por emissoras equatorianas na noite da quinta-feira.

Muitas imigrantes grávidas prestes a ter seus filhos costumam tentar cruzar a fronteira para os Estados Unidos, na tentativa de que seus filhos sejam registrados com cidadania americana.

AP
Equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla descansa em hospital em Matamoros, no leste do México. Ele é testemunha de massacre de 72 imigrantes perto da fronteira dos EUA
O imigrante equatoriano, ferido com um tiro na garganta, conta que o sobrevivente hondurenho se escondeu na mata e não foi visto pelos seqüestradores. “Ele se escondeu e não conseguiram vê-lo. A casa estava cheia de mato, ele se meteu no mato e se salvou", afirmou Lala em uma entrevista que foi gravada por autoridades do governo equatoriano ainda no avião que trouxe o imigrante de volta à Quito. "Quatro pessoas se salvaram, o resto morreu", relatou.

Sequestro

O sobrevivente equatoriano contou ainda como o grupo de 76 pessoas foi sequestrado no sábado, 21 de agosto, à noite. "Nos levaram a uma casa, nos amarraram de quatro em quatro com as mãos para trás, nos prenderam por uma noite. Depois, (...) ali ao lado, dispararam contra meus amigos", afirmou. "Depois chegaram disparando contra mim e mataram todos os outros. Acabaram de atirar e se foram, mataram todos", completou.

Depois que os sequestradores deixaram o local da chacina, o jovem equatoriano, de 18 anos, esperou alguns minutos e começou a correr, ferido, em busca de ajuda. "Saí com um amigo (o sobrevivente hondurenho). O amigo se separou de mim pensando que eu ia morrer e foi me deixando para trás", afirmou. "Corri uns 10 quilômetros, caminhei com dor, pedindo auxílio e ninguém quis me ajudar".

Lala seguiu até um ponto de controle da Marinha de Imigração, onde denunciou o massacre às autoridades e foi levado ao hospital. Chorando, o imigrante conta que tentou atravessar a fronteira pois pretendia encontrar com seus pais, que vivem nos Estados Unidos há quatro anos. Agora, Lala está protegido pelo Ministério Público em um programa de proteção à testemunhas e seus familiares.

Brasileiro
O consulado do Brasil no México ainda aguarda a liberação do corpo do imigrante Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, natural de Minas Gerais, para tramitar sua repatriação. Os documentos do brasileiro Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, foram encontrados, mas seu corpo ainda não foi identificado. Ainda faltam ser identificadas 41 vítimas do grupo de imigrantes assassinados. Entre as vítimas já identificadas, estão 16 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos.

Em seis meses, cerca de 10 mil pessoas foram sequestradas no México, o equivalente a mais de 1,6 mil vítimas por mês, de acordo com um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH). Desde a chacina dos imigrantes latinoamericanos, considerada uma das piores da história da guerra do narcotráfico no México, a violência na zona fronteiriça tem aumentado. Na quinta-feira, soldados mexicanos mataram 27 pessoas, supostos traficantes de drogas, próximo à fronteira com os Estados Unidos.

Arte/iG
Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse

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